Tempo de Tela e Desenvolvimento Neuropsicomotor até 2 anos

Tempo de Tela e Desenvolvimento Neuropsicomotor até 2 anos

A Revista Acadêmica Online, tem a satisfação de apresentar o trabalho de pesquisa intitulado “Tempo de Tela e Desenvolvimento Neuropsicomotor até 2 anos”, sob lavratura do autores Therezinha da Silva Probst, aluna-pesquisadora na Faculdade de Medicina pertencente à Universidade da Federal de Pelotas; Simone Farías Antúnez, aluna- pesquisadora no Programa de Pós-graduação em Epidemiologia, da Universidade Federal de Pelotas; Otávio Amaral de Andrade Leão, aluno-pesquisador no Programa de Pós-graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas; Gloria NiÑo Cruz, aluna-pesquisadora no Programa de Pós-graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas; e Rodrigues Domingues, aluno-pesquisador no Programa de Pós-graduação em Educação Física da Universidade Federal de Pelotas.

Fruto de uma laboriosa minúcia e atenta observação, o estudo veiculado em questão, envolve o esforço cooperativo e coordenado de autores com percursos formativos diferenciados, o que conflui apropriada permeabilidade de influências provenientes do campo da Medicina, Epidemiologia e Educação Física. Seus autores  partem do pressuposto de que a nossa infância é fase determinante no desenvolvimento neuropsicomotor, tanto pelo ritmo acelerado de alterações biológicas, como pela elevada capacidade de adequação aos estímulos ambientais.

O corolário derivado desta premissa, portanto, sugere que a quantidade e a qualidade dos estímulos presentes nessa fase influenciem diretamente o desenvolvimento em idades posteriores, e por essa razão, o impacto de fatores biológicos, psicossociais (individuais e familiares) e ambientais no desenvolvimento infantil tem sido objeto de numerosos estudos.

A medida de tempo que crianças e adolescentes passam por dia assistindo televisão, jogando videogame e usando computador ou celular é denominada de tempo de tela (do inglês screen time) segundo definição de LUCENA et al., 2015. Já são conhecidos pelos estudiosos os impactos negativos do tempo de tela excessivo sobre a composição corporal e hábitos alimentares; no entanto, são controversos e escassos os trabalhos que relacionam o tempo de tela com o desenvolvimento neuropsicomotor.

Desta forma, torna-se interessante o fato de a presente análise coarctar-se na averiguação dos possíveis efeitos do tempo de tela no primeiro ano de vida sobre o desenvolvimento neuropsicomotor até os dois anos. O presente estudo tem como principal propósito descrever e explorar a associação entre essas variavéis, quais sejam: o tempo de tela e desenvolvimento cognitivo, motor e de linguagem em crianças de até dois anos, monitoradas e devidamente amparadas pela Coorte de Nascimentos de 2015 em Pelotas, do estado meridional brasileiro(RS).

Quanto aos aspectos metodológicos, o estudo configura-se como longitudinal[1], sendo realizado a partir de dados da Coorte de Nascimentos de 2015 de Pelotas/RS que monitora a saúde, o contexto socioeconômico e o desenvolvimento físico e cognitivo de todas as crianças nascidas entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2015, ao longo da vida desde o período gestacional, possibilitando identificação precoce de fatores de risco à saúde e a criação de estratégias de prevenção e tratamento. Todas as mães residentes na zona urbana da cidade de Pelotas e no bairro Jardim América (Capão do Leão) foram convidadas a participar. O estudo acompanhou as etapas do pré-natal, perinatal, 3, 12 e 24 meses e atualmente prossegue se preparando para realizar o acompanhamento dos 48 meses de idade.

O estudo corrobora o consenso de que o uso de mídias não provê benefícios no desenvolvimento neuropsicomotor para crianças com idade igual ou inferior a dois anos; ao contrário, a contribuição da pesquisa está em apresentar evidências científicas que demonstram ser essa exposição constante às mídias a causa de prejuízos na cognição, linguagem e processo motor. Diligentemente, os pesquisadores em sua exposição, recomendam cuidados necessários como os de minimizar o uso e interação no tempo de tela, o que prepara para acolhida de hábitos mais saudáveis, como p.ex., maior tempo a interações dinâmicas com pais e cuidadores, leitura e brincadeiras, meios pelos quais as crianças se desenvolvem de forma mais satisfatória e sem prejuízos.

Há uma gama de questões levantadas neste estudo que apontam novos focos de reflexões acerca dos encaminhamentos dessas descobertas, de modo que pesquisas ulteriores, inspirando-se neste estudo possam sopesar discussões e debates sobre as consequências de suas descobertas.

Para leitura, na íntegra, em P.D.F, clique no link abaixo:

TEMPO DE TELA E DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR ATÉ 2 ANOS.pdf (261734)

 


[1] A Revista Acadêmica Online, oportunamente, editará, em seus quadros de apontamento, explicitação sobre o que vem a ser Estudos Longitudinais