O Brincar é Coisa Séria na Educação inclusiva

O Brincar é Coisa Séria na Educação inclusiva

O BRINCAR É COISA SÉRIA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

 

Tânia Mara de Souza Sampaio

 

A Educação Inclusiva deve buscar ter uma percepção de que ludicidade é representada pela criança por meio do faz de conta associada à exploração do espaço e as brincadeiras repassem valores da sociedade.

Para uma criança com Deficiência visual cabe ao educador proporcionar de maneira mediadora atividades lúdicas adaptadas com propósito pedagógico em sala de aula, podendo fazer demonstração com praticidade aos alunos e tarefas diferenciadas inclusivas no quotidiano, instigar os colegas a refletirem na grande importância de manter a classe organizada quando se tem um deficiente visual na turma.

Aprender braile ou soroban brincando contribui para os educandos com deficiência visual de maneira a potencializar a criatividade, espontaneidade, desenvolvimento da imaginação, vínculos de afetividade com os colegas no processo educacional e ao ter contato com atividades lúdicas adaptadas sentem-se mais estimuladas, descontraídas e compreendem melhor o meio ao seu redor.

O brincar leva a criança a mergulhar no espaço imaginário, faz com que a fantasia conduza a coordenação motora e compensa outros sistemas sensoriais.

Já o indivíduo com Deficiente intelectual cabe ao Educador buscar estratégias de atividades com ludicidades adaptadas que o aluno possa criar, refletir, analisar e interagir com os indivíduos ao seu redor.

O aluno com deficiência intelectual possui dificuldades em construir conhecimentos como os demais e a escola possui o dever de se organizar para atender todos os alunos com inovações que valorize e reconheça as capacidades e limitações individuais dos educandos.

O brincar e a ludicidade são importantes para a criança com deficiência intelectual, pois a mesma necessita de mais estímulos para que suas habilidades cognitivas, motoras, imaginação, autoestima, concentração, confiança e relacionar-se com outras pessoas sejam desenvolvidas.

Já uma criança com surdez necessita brincar da mesma maneira que as ouvintes, sendo diferente apenas a forma de se comunicar.

A inclusão dos indivíduos com surdez é uma diferença a ser politicamente reconhecida que nos leva a refletir nos inúmeros entraves enfrentados pelos surdos na sociedade

É necessário destacar a importância da educação que a criança recebe. Ela precisa ser adaptada, ou seja, utilizar os meios comunicativos de que a criança necessita, facilitando o conjunto de suas aprendizagens. Esse é um objetivo difícil de alcançar quando a criança surda tem de ser acomodada a modelos educativos que foram estabelecidos pensando-se nas crianças exclusivamente ouvinte.

Aos deficientes físicos, ter algumas limitações não impede que os mesmos com menor mobilidade possam participar de brincadeiras adaptadas e atividades lúdicas permitindo assim, a sociabilização entre as outras crianças, o estímulo da cognição e afetividade.

Segundo Borba,

...a escola, como espaço de encontro das crianças e dos adolescentes com seus pares e adultos e com o mundo que os cerca, assume o papel fundamental de garantir em seus espaços o direito de brincar. Além disso, ao situarmos nossas observações no contexto da contemporaneidade, veremos que esse papel cresce em importância na medida em que a infância vem sendo marcada pela diminuição dos espaços públicos de brincadeira, pela falta de tempo para o lazer, pelo isolamento, sendo a escola muitas vezes o principal universo de construção e sociabilização. (2006, p.42)

           

Para qualquer idade na infância o brincar é algo natural, preparam as crianças para a vida e contribuem na construção das relações interpessoais, daí então, mudanças adentram nas concepções e práticas educativas são necessárias para que haja inclusão escolar e respeito às diferenças individuais.

Segundo os estudos de Piaget e Vigostsky o brincar possui grande importância e contribui ao desenvolvimento socialmente, afetivamente e cognitivamente dos indivíduos.

As crianças ao interagirem com objetos diversos descobrem maneiras de brincarem e conciliam a realidade vivenciada com o mundo imaginário.

É necessário políticas inclusivas que propulsionem o lúdico na educação especial para que ocorram melhorias nas condições de eficiência da mediação ao aprendizado dos educandos com necessidades educacionais especiais.

                Segundo Vigotsky,

Brincar é coisa séria, também, por que na brincadeira não há trapaça, há sinceridade engajamento voluntário e doação. Brincando nos reequilibramos, reciclamos nossas emoções e nossa necessidade de conhecer e reinventar. E tudo isso desenvolvendo atenção, concentração e muitas habilidades. É brincando que acriança mergulha na vida, sentindo-a na dimensão de possibilidades. No espaço criado pelo brincar nessa aparente fantasia, acontece a expressão de uma realidade interior que pode estar bloqueada pela necessidade de ajustamento às expectativas sociais e familiares (VIGOTSKY, 1994, p. 67).

 

O brincar na escola proporciona aprendizado instigante, prazeroso, desafiador, constrói conhecimento, obtém bons resultados e disponibiliza a criatividade.

Aos educandos com altas habilidades/ Superdotação são necessárias atividades lúdicas que os instiguem ainda mais nas suas aptidões superiores, seus interesses e indagações com protagonismo e autonomia de si próprios.

A escola é um espaço de interação com educandos de contextos diversos e permite o convívio com as diferenças, pois é um direito de o indivíduo com necessidades educacionais especiais ser orientado e ter sua personalidade fortalecida na construção da cidadania.

            Segundo Valle,

 

Ludicidade é envolver-se numa atividade, utilizando objetos, em geral brinquedos, que trazem prazer à criança. Neste contexto, o papel do professor seria ajudar o aluno a aprender novos conteúdos com o uso de estratégias e atividades prazerosas. O brincar é uma ação que está presente em todos os períodos do desenvolvimento. Os objetos que despertam o interesse lúdico mudam dependendo da fase em que o ser humano se encontra.

 

Para qualquer individuo a ludicidade contribui ao desenvolvimento de habilidades, autoestima e desperta o interesse significativo pelas atividades em grupo ou individual.

Aos discentes com Transtornos Globais do Desenvolvimento é necessário atentar que os mesmos possuem interesses de forma diferenciada, e tem atenção fixada em uma só atividade.

            Segundo Santos,

 

Através das atividades lúdicas a criança assimila valores, adquire comportamentos, desenvolve diversas áreas de conhecimento, exercita-se fisicamente e aprimora habilidades motoras. No convívio com outras crianças aprende a dar e receber ordens, a esperar sua vez de brincar, a emprestar e tomar como empréstimo o seu brinquedo, a compartilhar momentos bons e ruins, a fazer amigos, a ter tolerância e respeito, enfim, a criança desenvolve a sociabilidade.

           

Atividades propostas com ludicidade na infância levam o educando ao divertimento por meio de jogos, sendo necessárias metas de aprendizagens e adaptações dependendo da limitação do aluno para que ele possa interagir nas atividades e desenvolver-se nas habilidades e competências.

Para RODRIGUEZ:

 

 (...) podemos dizer que a inclusão começa em casa, seja em relação aos pais que têm filhos com Síndrome de Down, seja com pais que têm filhos sem nenhum tipo de síndrome e que permitem que seus filhos conheçam, se aproximem e convivam com as diferenças. Todos nós estamos incluídos nesta história e enquanto as pessoas não se derem conta disso, apenas os que sofrem o preconceito serão capazes de pensar em alternativas para a transformação social.

 

A escola em parceria com a família deve buscar contribuir no provimento de atividades lúdicas para a obtenção do sucesso e protagonismo do educando.

Segundo Ross,

Atribui-se aos pais a responsabilidade pela formação da autoestima da pessoa com deficiência vinculando-se, portanto, a sua função quanto a formação emocional.

Consequentemente os pais contribuem para a superação dos efeitos negativos da deficiência, favorecendo assim, a própria aceitação de sua condição.

           

É preciso que no processo ensino aprendizagem haja estratégias educativas com flexibilidade para que atenda todos os educandos e os mesmos encontrem desafios nos ambientes estimulantes com ludicidade tanto no lar como na escola.

A brincadeira contribui para que a criança aprenda a conviver com o outro, respeitando as diferenças com atitudes de amizade e solidariedade.

Concluímos que o brincar no processo educacional inclusivo é muito importante para o educando, pois contribui ao desenvolvimento de muitas habilidades, fortalece o vínculo afetivo, respeito de regras e incorpora valores de acessibilidade na escola fazendo com que a inclusão seja naturalmente da rotina diária, ou seja, o brincar é coisa séria na educação inclusiva!

 

 

Referências Bibliográficas

 

FERREIRA, L. Educação, inclusão e ludicidade: uma análise histórica e filosófica. Enciclopédia Biosfera, n. 04, 2007.

KHISHIMOTO, Tizuko Morchida. O jogo e a educação infantil. São Paulo: Pioneira, 1997.

KISHIMOTO, Tizuko M., O brincar e suas teorias. São Paulo; Pioneira, 2002.

RODRIGUEZ, Fernanda T. Síndrome de Down e inclusão familiar. Revista Ciência & Saúde, 2006. Disponível em: Acesso em: 18 set. 2007.

ROSS, Paulo Ricardo. Pressupostos da integração: Integração frente à realidade educacional. Anais do III Congresso Ibero-Americano de Educação Especial, volume 3. Foz do Iguaçu – PR: Qualidade, p. 239-43, 1998.

SANTOS, S. M. P. dos. (Org.). Brinquedoteca: a criança, o adulto e o lúdico. Petrópolis: Vozes, 2000. Brinquedoteca: o lúdico em diferentes contextos. 12. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

VALLE, Tânia Gracy Martins. Práticas educativas: criatividade, ludicidade e jogos. Tânia Gracy Martins Valle, Vera Lúcia Messias Fialho Capellini In: Práticas em educação especial e inclusiva na área da deficiência mental / Vera Lúcia Messias Fialho Capellini (org.). – Bauru: MEC/FC/SEE, 2008.v. 12: il.

VIGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

           

INTERNET

http://cmais.com.br/vilasesamo/pais-e-educadores/o-brincar-inclusivo-e-o-desenvolvimento-infantil

https://novaescola.org.br/conteudo/51/o-que-sao-os-transtornos-globais-do-desenvolvimento-tgd

http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/altashabilidades.pdf