GESTÃO EDUCACIONAL E INCLUSÃO EM UMA PROPOSTA NO AMBIENTE ESCOLAR

GESTÃO EDUCACIONAL E INCLUSÃO EM UMA PROPOSTA NO AMBIENTE ESCOLAR

 

JESUS, ANA PAULA Q. B. DE.

 

 

GESTÃO EDUCACIONAL E INCLUSÃO EM UMA PROPOSTA NO AMBIENTE ESCOLAR

 

 

DUCATIONAL MANAGEMENT AND INCLUSION ON A PROPOSAL IN SCHOOL ENVIRONMENT

 

 

 

RESUMO

 

Ao analisar a Educação Especial no Brasil e, em participar, a educação especial, BUENO (1994) aponta que a falta de uma clara delimitação entre as responsabilidades dos serviços de saúde e de educação especial impede o estabelecimento de políticas que respondam efetivamente a essas necessidades. Na análise dos trabalhos com linguagem voltados a crianças NEE, ROSA (1998), crítica às propostas de intervenção que investem no aspecto articulatório. Embora este autor tivesse como foco aspectos do desenvolvimento cognitivo humano, seus estudos inspiram vários autores que dedicam à inclusão. No que se refere ao âmbito escolar, segundo documento do MEC (2004), a partir da década de oitenta ocorreram alguns eventos e fatos marcantes ligados á democratização do ensino, objetivando um processo mais significativo de formação para os indivíduos portadores de deficiências. De fato este aspecto tem sido apontado por diversos autores como grande entrave para inclusão no âmbito escolar. Portanto analisar como os gestores escolares viabilizam o processo de inclusão, identificar quais são as complicações administrativas, politicas e pedagógicas para os gestores escolares nesse processo de inclusão. Comparando o trabalho da gestão frente a inclusão verifica-se que existe muito a ser realizado pelas escolas para efetivar a inclusão escolar através do trabalho realizado pela gestão.

 

Palavras-chave: Gestão Escolar, Inclusão em Educação, Educação Inclusiva.

ABSTRACT

By analyzing the Special Education in Brazil, and participate in special education, BUENO (1994) points out that the lack of a clear distinction between the responsibilities of health services and special education prevents the establishment of policies that respond effectively to these needs . In the analysis of the work with language aimed at children SEN ROSE (1998), criticism of the intervention proposals to invest in the articulation aspect. Although the author had focused on aspects of human cognitive development, their studies inspired several authors dedicated to inclusion. With regard to the school context, according to the Ministry of Education document (2004), from the eighties there were some events and related milestones will democratization of education, aiming at a more significant process of training for individuals with disabilities. In fact, this aspect has been pointed out by several authors as major deterrent for inclusion in schools. Therefore analyze how school administrators enable the inclusion process, identify which are the administrative complications, political and educational for school managers in this process of inclusion. Comparing the work of front management to include it turns out that there is much to be done by schools to conduct the school inclusion through the work of the management.

Key words: School Management, Inclusion in Education, Inclusive Education.

 

INTRODUÇÃO

 

De acordo com a importância da gestão no processo de construção de escolas inclusiva, esta pesquisa tem como objetivo identificar por meio de revisão da literatura da área especializada, as recomendações referentes ao papel dos gestores pedagógicos no que concerne a inclusão de alunos com (NEE), ou seja, alunos necessidades educacionais especiais no ensino regular, com relevância à organização de escolas inclusivas.

Verifica-se que a escola recebe em seu ambiente interno, influência das mudanças ocorridas na sociedade, uma vez que a mudança começa de fora para dentro evidencia-se a necessidade da gestão escolar ser capaz de desenvolver varias alternativas de organização, constituindo uma estrutura dinâmica que valorize e facilite a introdução novas demandas sociais. Com esta pesquisa, pretende-se discutir a relação entre a administração escolar e a efetivação da inclusão, na atualidade.

Nesse contexto sócio, cultural, político e econômico, percebem-se que uma gestão escolar comprometida que valorize, as decisões de todos os envolvidos partem sempre da reunião e cooperação dos envolvidos na instituição escolar, isso facilita, muito a inclusão para que haja inclusão para todos sem distinção, isso só será possível através de uma gestão democrática escolar.

 

DESENVOVIMENTO DA PESQUISA

 

1- OS DOCUMENTOS OFICIAIS E AS LEIS E OS DECRETOS SOBRE INCLUSÃO 

Escolas inclusivas devem reconhecer e responder às necessidades diversas de seus alunos, acomodando ambos os estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade a todos através de um currículo apropriado, arranjos organizacionais, estratégias de ensino, usam de recurso e parceria com as comunidades. (BRASIL, 1997, p. 5).

Os documentos vigentes voltados para as leis da inclusão hoje no Brasil que tratam em seus textos os diretos da inclusão, um deles é a Declaração de Salamanca que trás em seu texto elencados aos pais o direto de escolha sobre a educação de seus filhos, cabe à família escolher o que julga ser melhor nessa etapa do aprendizado. Propõe estratégias dos pais participarem de atividades educacionais na escola e em suas próprias casas, caracterizando atividades extracurriculares, sabe-se o quão e importante continuar a aprendizagem em casa para fortalecer a aprendizagem dos seus filhos em relação às atividades desenvolvidas na sala de aula caracterizando assim um reforço para aluno. (MEC/Declaração de Salamanca, 1994). 

A lei também deixa claro que os alunos com surdez tem o direito de ser alfabetizado nas duas línguas, em Libras e em Português. Kozlowski (1998 apud LIMA, 2006, p. 24), “afirma: que “trabalhar numa proposta bilíngue”“. Significa dar o direito e condições ao aluno surdo de poder utilizar duas línguas para uma melhor aprendizagem e assim poder participar de todas as atividades proposta em sala de aula bem como em atividades extraclasse, nesse momento cabe ao aluno escolher a língua que irá utilizar em determinado momento para uma aprendizagem real. Como se pode perceber na citação abaixo: 

 O Decreto 5626/2005, que regulamenta a Lei 0.436/2002, em seu Artigo 3º cita a inserção da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de instituições de ensino, públicas e privadas, do sistema Federal de ensino e dos sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (BRASIL, 2005). 

No Brasil, após a Constituição de 1988, a discussão em torno do tema da educação especial ganhou muita força e espaço para garantir a inclusão escolar e receber o aluno e poder dar todas as condições para superar as dificuldades na aprendizagem. 

A educação de surdos deve ser ministrada nas duas línguas, desde a educação infantil, pois quando começa cedo o ensino a criança aprende melhor essa fase é da imitação e assim garante que nos próximos anos já estão familiarizado com as duas línguas e pode futuramente escolher para melhor progredir em seus estudos e para a vida adulta também, e assim poder ser inserido melhor na vida adulta.

O ensino das crianças surdas deve ocorrer por meio das Libras como primeira Língua ou da língua Portuguesa como segunda Língua, para pode fazer parte da sociedade e assim ser inserida em sua totalidade. Mas ainda percebe que a escolarização dos alunos surdos enfrentam alguns entraves, na educação de surdos ainda deixa muito a desejar, pois faltam investimentos para melhor atender a inclusão, temos que direcionar o olhar para as dificuldades que nos últimos anos vem crescendo muito, hoje é cada vez mais comum lidar com alunos surdos nas classes comuns, ou seja, nos ensinos regulares, onde se aprende com as diferenças, porém para alguns é difícil poder conviver com essas diferenças sem uma instrução de como proceder e agir para obter sucesso na aprendizagem. 

Têm-se mais documentos relevantes sobre o assunto um desses é a Declaração Internacional de Montreal sobre Inclusão, aprovado em 05 de junho de 2001 pelo Congresso Internacional "Sociedade Inclusiva", realizado em Montreal, Quebec, Canadá. 

Esse documento veio para ajudar pais, professores, gestores educacionais, mostrar que todos devem agir juntos para garantir a inclusão em sua totalidade. Seria bom que não tivéssemos que recorrer às leis para fazer valer os direitos da inclusão. Torna-se muito desgastante quando temos que ir a uma estância maior para fazer valer o que este previsto em leis, ou seja, garantir os direitos da inclusão. Muitas vezes as famílias desses alunos não têm  conhecimentos das leis muito menos dos seus diretos. 

A ideia de universalização do ensino com qualidade e redução da desigualdade, tornam-se fatores seminais à educação: a luta contra discriminação, o comprometimento com os excluídos, as necessidades básicas de aprendizagem das pessoas com deficiência e a garantia do acesso ao sistema educativo regular.

Novas e crescentes articulações e alianças serão necessárias em todos os níveis: entre todos os subsetores e formas de educação, reconhecendo o papel especial dos professores, dos administradores e do pessoal que trabalha em educação. (BRASIL, 1990, p. 5).

Esse documento deixa claro que o gestor escolar como um dos responsáveis a promover parcerias para a promoção da educação para todos. Não desresponsabilizando os governos: federal, estadual e municipal quanto ao oferecimento de recursos humanos e materiais para consolidação da proposta, ou seja, tem-se que buscar apoio dos nossos governantes para fazer valer os direitos da inclusão.

Não se pode deixar a inclusão apenas nos discursos, deve ir além de simples conversas, ou seja, tem que sair do papel e fazer a introdução das leis. É necessário que o aluno exerça sua cidadania e que tenha seus diretos garantidos pela Constituição Cidadã e que posso participar de uma sociedade para todos.  A escola inclusiva não é atingida de modo simples e nem rápido, isso requer empenho de todos os gestores envolvidos no processo de inclusão. Todos devem refletir sobre suas atitudes e suas praticas e valorizar o outro como ele é.

Pires (2008) declara que os gestores da escola inclusiva devem estar preparados, isto é, atualizados, e em constante processo de aprendizagem para que não fiquem estagnados, alheio à realidade que a escola apresenta.

 

2- projeto polÍtico pedagogico x inclusão

 

A educação é um meio mais eficaz de entender as dificuldades de qualquer aluno, e assegura aos que apresentam alguma deficiência a excelência de entender que todos têm os mesmos direitos, tanto de ir e vir, quanto ao direito de formalizar sua aprendizagem, e o professor em sala de aula tem total liberdade de ensino adequado e propício para cada etapa alcançada de seus alunos, tal como livros didáticos que auxiliam e preda a atenção do mesmo, tornando o aluno um emancipado intelectual, não deixando de fora suas vontades e hábitos particulares e peculiares.

Uma escola inclusiva está retratada no seu currículo e na estruturação do Projeto Político Pedagógico (PPP). Graças a PPP pode-se identificar que tipo de escola pode-se ter para os estudantes, sem deixar de citar a comunidade e a equipe de gestores, afinal é fundamental para a sociedade que todos se envolvam nas mudanças que acontecem com os alunos e com o ambiente escolar.

[...] Uma escola consegue organizar um currículo inclusivo quando reconhece a complexidade das relações humanas, a amplitude e os limites de seus objetivos e ações, quando entende o ambiente escolar como um espaço relacionamento que estabelece laços que contribuem para a formação de uma identidade individual e social, assim o estudante adquire conhecimento para uma vida adulta e independente e que possa se relacionar com a sociedade sem grandes problemas (MINETTO, 2008, p. 32) [...]. 

Para a Constituição Federal é assegurado o direito à educação a toda a população indiscriminadamente. Sendo que de acordo com o MEC (2001): por educação especial, conforme especificado na Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996 e o Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, entende-se um processo educacional definido em uma proposta pedagógica que assegure recursos educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e modalidades da educação básica.

As adaptações curriculares, segundo o documento do MEC, compõe o conjunto dos Parâmetros Curriculares Nacionais, inserindo-se na concepção de escola integradora defendida pelo MEC. Vale observar que o referido documento “focaliza o currículo como ferramenta básica de escolarização” (p. 15), “organizado para orientar, dentre outros, os diversos níveis de ensino e ação docente” (p. 31). “Já as adaptações curriculares são entendidas como estratégias e critérios de atuação docente” (p. 15). Nessa reflexão Pacheco (2007, p. 81-85) manifesta que é preciso que a família e a escola estejam preparadas para iniciar e perseverar o processo de inclusão.

Um parecer bastante conciso, em uma diferenciada postura escolar, com uma nova metodologia, novos projetos pedagógicos e metodologia de ensino. Observa-se que a interação do pedagogo com as diferenças diversidade social, um novo paradigma de diferenças e igualdades sociais. Além dessa interação, muito importante para o crescimento das aprendizagens recíprocas, esse processo busca uma pedagogia que se evolua frente às diferenças do alunado. Esta nova visão que apresenta em defesa da ideia de viver a igualdade na diferença, integrar na diversidade. Beyer (2006, p.73).

O processo de inclusão envolve, portanto, uma reestruturação das culturas, das políticas e das práticas de nossas escolas que, como sistemas abertos, precisam rever suas ações, até então predominantemente excludentes. É um processo gradativo, requer inúmeras discussões e planejamento de adequação para algo que é possível e é favorável para se mudar.

Deve-se observar a gradativa atitude dos responsáveis, para com a inclusão, que está obtendo um resultado positivo de estudos na área e da aprovação de legislações voltada para o direito disciplinar do deficiente. Em consequência disso, o aluno com necessidades educacionais especiais está sendo mais facilmente aceito nas escolas e começa a ser respeitado como pessoa que apresenta ritmos, características, aprendizagens e emoções, às vezes diferenciadas, requerendo apenas um novo olhar e um novo direcionamento da escola, nesse sentido é que entra uma gestão que possa sanar essa dificuldade.  

                                           

3- O CURRÍCULO ESCOLAR E A PARTICIPAÇÃO DO PROFESSOR

 

A escola, em todo o seu caminho histórico não foi projetada para receber a desigualdade. O desafio mais importante da atualidade é a igualdade, alcançar objetivos e metas, envolver toda uma escola em prol da diversidade e abrir mentes, superar barreiras, tornando possível esse laço e dispondo a responsabilidade, um dever de todos, entre Governos e Políticos, nossa função é agregar conhecimento e sabedoria aqueles que de alguma forma não tem acesso ou não podem conhecê-la sozinho, por suas dificuldades.

A partir da segunda metade do século XX, começa a viver – não sem contradições e conflitos – um momento de maior consolidação de algumas demandas dos movimentos sociais e da sua luta pelo direito à diferença. 

É possível perceber alguns avanços na produção teórica educacional, no Governo Federal, no Ministério da Educação, nas Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, nos projetos pedagógicos das escolas, na literatura infanto-juvenil, na produção de material didático alternativo e acessível em consonância às necessidades educacionais especiais dos alunos (INDAGAÇÕES SOBRE CURRÍCULO, 2008, p. 27). 

Houve vários progressos na inclusão, propostas educativas nas escolas, com a finalidade de atender a todos em função da identidade e proporcionar que uma criança de ensino regular, saiba desde cedo as diferenças da vida e aceitar as dificuldades, compreender os problemas e não pré-julgar o próximo, encorajando ambos em conseguir seu lugar no mundo social.

Incluir não é simplesmente levar uma criança com deficiência a frequentar o ensino regular. A inclusão é uma conquista diária para a escola, para a criança e para seus pais. Todo dia é um dia novo na inclusão (FACION, 2009, p. 203). 

Inclusão é entender a diversidade e abraçar as medidas e propostas, tornar isso pequeno em vista das grandes dificuldades enfrentadas no cotidiano. De acordo com Lima (2006, p. 17):

A diversidade é norma da espécie humana: seres humanos são diversos em suas experiências culturais, são únicos em suas personalidades e são também diversos em suas formas de perceber o mundo. Seres humanos apresentam, ainda, diversidade biológica. Algumas dessas diversidades provocam impedimentos de natureza distinta no processo de desenvolvimento das pessoas (as comumente chamadas de “portadoras de necessidades especiais”). Como toda forma de diversidade é hoje recebida na escola, há a demanda óbvia, por um currículo que atenda a essa universalidade.

De acordo com a diversidade pode ser entendida como a construção histórica, cultural e social das diferenças.  Segundo Minetto (2008, p. 19):

A educação é responsável pela socialização, que viabiliza o individuo uma socialização cultural com os demais. Cabe também ao professor conduzir essa ideia aos seus alunos em sala, usufruindo de suas mentes que ainda estão em fase de aprimorar suas personalidades e adquirir novas habilidades, aflorando o modo como eles enxergarão a sociedade e a igualdade do direito de estudar, aprender, cultivar e caminhar em progresso do futuro.

A escola é o apoio ao aluno, um espaço sociável e libertador para as mudanças e expectativas do aluno, associando a natureza afetiva entre os alunos e ressaltando seus valores. O currículo apresenta uma união dos conhecimentos e valores que individualizam um processo social. Este é o ponto primordial do trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas.

Coll (2000, p. 45) define currículo de uma forma atual e objetiva:

No entanto o currículo é como se fosse um projeto de praticas educativas que define as proporções e intenções adequadas entre professor e aluno, que são diretamente responsáveis por suas elaborações em sala de aula. Induzindo o conhecimento e curiosidade do mesmo.O currículo não está envolvido em um simples processo de transmissão de conhecimentos e conteúdos. Possui um caráter político e histórico e também constitui uma relação social, no sentido de que a produção de conhecimento nele envolvida se realiza por meio de uma relação entre pessoas (GOMES, 2006, p.31-2).

Conforme Batista (2006, p. 12): “Tais práticas educativas funcionam como um regulador da aprendizagem e estão baseadas nos propósitos e procedimentos de ensino que decidem ‘o que falta’ ao aluno de uma turma de escola comum”.

Pode-se verifica é que para adaptar um professor com um bom currículo integrado, o mesmo tem que ser capaz de aprender com o aluno, tem que ser capaz de compreender suas necessidades e diferenciar as oportunidades, visando o crescimento nesse mundo chamado inclusão social. É de vital importância que este currículo seja esteticamente organizado e que suas tarefas sejam coerentes com o aprendizado do estudante, ela precisa entender e se espelhar no que o professor quer transmitir e que ele possa repassar aos demais sem dificuldades.

 

4- GESTÃO DEMOCRÁTICA INCLUSIVA

 

De acordo com o caráter social, as instituições de ensino não podem escolher quem irá atender, pois devem atender e incluir. O que vem a ser uma instituição pública de ensino, de acordo com B. Teixeira (2000), ou seja, um ambiente acessível a todos.

Essa afirmação deixa claro que os norteadores ao paradigma da inclusão esclarecem àqueles até então excluídos da escola comum, o melhor atendimento a que têm o direito de receber, uma vez que:

A escola deve receber todos aqueles que buscam a satisfação de suas necessidades educacionais. Tratando-se neste caso da administração e satisfação do direito à educação, o ideal da construção de escolas democráticas dirige-se principalmente à rede pública de ensino. (B. TEIXEIRA, 2000, p. 45).

No que se refere às escolas públicas, que tem como objetivo primordial a democracia, que abrem suas portas à participação de todos, não podem deixar de fora a demanda de alunos com deficiência dando desculpas de não estarem preparada para receber, ou que o espaço não esteja adequado, simplesmente dificultando o processo.

O mundo hoje é um mundo de diversidade e a escola, como instituição criada por esse mundo e pela sociedade, com o proposito de transmitir-lhes valores, atitudes e conhecimentos, deve, primordialmente, respeitar a diversidade humana, sabe-se que hoje a gestão tem grande papel nessas mudanças.

Apple e Beane (1997, p. 22) caracterizam as escolas democráticas como:

Comunidades de aprendizagem (...) diversificadas, e essa diversidade é valorizada, não considerada um problema. Essas comunidades incluem pessoas que refletem diferenças de idade, cultura, etnia, sexo, classe socioeconômica, aspirações e capacidades. Essas diferenças enriquecem a comunidade e o leque de opiniões que deve considerar. Separar pessoas de qualquer idade com base nessas diferenças ou usar rótulos para estereotipá-las são procedimentos que só criam divisões e sistemas de status que diminuem a natureza democrática da comunidade e a dignidade dos indivíduos contra quem essas práticas são dirigidas com tanto vigor. (...) Por esse motivo, as comunidades de alunos das escolas democráticas são marcadas pela ênfase na cooperação e na colaboração, e não na competição.

De acordo a citação acima, fica claro que para Apple e Beane são consideradas escolas democráticas, para Mantoan (1997, p. 145) é definido como escolas inclusivas as quais:

Propõem um modo de se constituir o sistema educacional que considera as necessidades de todos os alunos e que é estruturado em virtude dessas necessidades. A inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apoia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral.

Os professores que atuam nas escolas democráticas reconhecem as dificuldades de uma escola frente às desigualdades existentes na sociedade, precisam conceber a educação escolar como um dos espaços, em que se dá o aprendizado do respeito de ambas às partes, se a escola dá bons exemplos de ações democráticas aos alunos que também praticam boas atitudes.

O ambiente escolar deve ser transformado “em um centro onde se vive e não em um centro onde se prepara para viver” (TEIXEIRA, 1968, p. 45). Devendo “basear-se numa definição abrangente de “nós”, num compromisso de construir uma comunidade que é tanto da escola, quanto da sociedade onde ela existe”. 

(APPLE e BEANE, 1997, p. 39). Um primeiro passo de grande importância da administração escolar, para o sucesso de uma política inclusiva, seria possibilitar a todos os que atuam no cenário educacional uma compreensão mais objetiva acerca das necessidades especiais de seus alunos, a fim de garantir ações e atitudes desprovidas de preconceito.

Observa-se que as crianças possuem potenciais e limitações, e que, portanto, são propensos aos sucessos e fracassos. Verifica-se que todos percebam que “por detrás de um deficiente há sempre uma pessoa que quer estar entre nós, que quer ser um membro ativo da nossa sociedade e que quer desfrutar da vida, como todos nós. E isto não é uma questão de caridade. É, acima de tudo, um direto a ser respeitado” (MANTOAN, 1997, p. 170).

A preparação e capacitação adequada de todo a equipe escolar assegurando a eficácia no conteúdo, habilidade didática, criticidade e discernimento, além de uma ampla postura ética (MAIA, 2002), “amparados por serviços de apoio e parceria com instituições da sociedade”. Ao implementar uma educação inclusiva está ao mesmo tempo forçando à administração da escola preparar novos direcionamentos com relação às práticas pedagógicas mais evoluídas, e revendo mudanças nas práticas dos professores, nas metodologias de avaliação e aprovação dos alunos para séries mais avançadas.

Com a inclusão veio o motivo para que a escola se adeque atendendo às necessidades de uma sociedade heterogênea. Uma gestão escolar que busca a participação democrática em suas ações, a partir do momento que toma a inclusão como um compromisso de todos os integrantes da escola e não apenas da direção e dos professores. Após as pessoas tomarem conhecimento do que mobiliza os movimentos inclusivos, busca, através da gestão da escola, em reuniões do corpo gestor e no conjunto de suas ações, mudanças tanto no ambiente físico do prédio escolar, quanto no desenvolvimento de uma pedagogia centrada no aluno, capaz de educar todos com sucesso, sem distinção e assim valorizar o aprendizado dos estudantes com necessidades especiais.

Frente a esse exposto, as autoras Forest e Pearpoint (1997, p. 138) definem o princípio da inclusão como:

Inclusão NÃO trata apenas de colocar uma criança deficiente em uma sala de aula ou em uma escola. Esta é apenas a menor peça do quebra-cabeça. Inclusão trata, sim, de como nós lidamos com a diversidade, como lidamos com as diferenças, como lidamos (ou como evitamos lidar) com a nossa moralidade. (...) inclusão não quer absolutamente dizer que somos todos iguais. Inclusão celebra, sim, nossa diversidade e diferenças com respeito e gratidão. Quanto maior a nossa diversidade, mais rica a nossa capacidade de criar novas formas de ver o mundo. (...) Inclusão é reconstruir nossos corações e nos dar as ferramentas que permitam a sobrevivência da humanidade como uma família global.

Verifica-se que a escola democrática torna-se de fato a partir do instante que é inclusiva, quando favorece ações que promovem toda a diversidade humana. Por contrapartida, a gestão democrática, conta com a cooperação de todos os profissionais da escola em conseguir comprometimento do ensino para todos, ajuda para uma mudança no perfil do professor e na construção de um novo perfil de escola que, contemple e valorize a diversidade de todos os indivíduos, em igualdade com o advento da inclusão. Poder contar com uma equipe gestora que coloca a inclusão como prioridade no planejamento, trabalha com mais prazer em aceitar as mudanças.com o paradigma da inclusão.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A educação especial, como fator de inclusão, tem como prioridade a expansão da oferta de atendimento educacional especializado em todos os níveis e modalidades da educação, efetivando a proposta de preparar todas as escolas para o atendimento, na sua comunidade, de todas as crianças, adolescentes, jovens e adultos, a despeito de suas características, desvantagens ou dificuldades, desenvolvendo competências e habilidades para educar na diversidade.

Cabe a gestão dá a devida a importância da inclusão das pessoas nos processos de inclusão e nas decisões democráticas a fim de mediar os conflitos e  pela criação dos conselhos escolares de forma assegurar  a universalização dos direitos e valorizar  uma nova concepção de educação baseada na construção coletiva para a melhoria da qualidade do ensino e do trabalho em equipe. Tendo como base os trabalhos realizados pelo gestor pedagógico é um dos profissionais que se destaca no contexto educacional inclusivo.

Com o papel importante que a gestão exerce cabe a essa equipe planejar e organizar a escola, de forma que esta atenda a todos as necessidades especiais dos alunos que ali se encontram matriculadas bem como planejar um ambiente agradável para uma melhor aprendizagem e integração. É primordial que o gestor pedagógico se conscientize da importância de se prover uma escola inclusiva e de promover ações que viabilize esta proposta, mesmo porque, todos que compõem a comunidade escolar, estarão se espelhando em suas ações.

Verifica que são os gestores que deve preparar os recursos e materiais necessários para que ocorra a aprendizagem dos estudantes com necessidades especiais e também auxiliar os professores em suas metodologias de igual importância preparar o espaço, ou seja, o ambiente para receber esses alunos sem prejuízo aos mesmos. Promover um momento de reflexão e assim rever o planejamento e nos planos de ações possibilitando uma efetiva participação de todos. Por essa razão é que os professores que atuam nessa área necessitam de uma formação de qualidade para que a inclusão ocorra verdadeiramente. 

Deste modo, o aluno estará apto para viver em sociedade e desenvolver suas habilidades através do ensino interativo, social e de um rico repertório. Pode-se ressaltar que, quanto à oferta de papéis a serem desenvolvidos, há bons aspectos também, pois esses papéis estão ligados, geralmente, a sistemas de valores de uma sociedade em que os alunos vivem, fornecendo desta maneira, até mesmo esquemas de comportamento.   

Ficou evidente que, os alunos necessitam de uma metodologia diferenciada dos demais. Os professores devem fazer uso de recursos adequados sempre que possível em suas aulas para favorecer o aprendizado, sobretudo para os alunos especiais.  É preciso acreditar que podemos melhorar a educação, com gestos e formas simples, que além de trazerem vários benefícios aos alunos, ainda é uma das formas expressivas da manifestação da alma do educando.  

Conclui-se que, esta pesquisa foi de extrema importância para nossa atuação profissional, Porém vale ressaltar que ainda se requerem muitos estudos nessa área, sendo importante a presença de gestores capacitados, através de cursos e/ou capacitações oferecidos pelos governantes, a fim de contribuir para o enriquecimento da aprendizagem e da inclusão de todas as pessoas.

 

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