Dislexia no Contexto Institucional

Dislexia no Contexto Institucional

DISLEXIA NO CONTEXTO INSTITUCIONAL

 

 

RESUMO

Este trabalho aponta algumas estratégias que podem ser utilizadas pela instituição escolar que tem a responsabilidade social na formação educativa dos indivíduos, no diagnóstico pedagógico dos alunos disléxicos que é caracterizado pela dificuldade de aprendizagem no âmbito da linguagem receptiva e expressiva, oral ou escrita e, é considerado pelos especialistas um distúrbio na aprendizagem quanto, codificar e decodificar a leitura e a escrita.

 Diante dessa defasagem esse estudo tem o objetivo de descrever a dislexia e suas manifestações além de minimizar os impactos emocionais e comportamentais para o educando.

O processo diagnóstico é dado por uma equipe interdisciplinar, dentre eles o fonoaudiólogo, por ser potencializado no conhecimento da escrita/leitura e linguagem oral, portanto, a escola é responsável pelo desenvolvimento das potencialidades dos educandos e devem ter educadores que detectem o problema para que as crianças não fiquem rotuladas, fazendo da escola um ambiente onde não ocorra a aprendizagem efetiva, e sem o conhecimento da dislexia, os professores associam o baixo rendimento como dificuldades na leitura e escrita, má alfabetização, desatenção, baixa condição sócio econômica, desmotivação, baixa inteligência. Entretanto, a partir destes pressupostos podemos ressignificar o contexto na mudança de rumos, com a perspectiva de um direcionamento para tratamento adequado com profissionais especializados ao aluno disléxico.

 

Palavras – Chave: Dislexia, Métodos de Aprendizagem.

 

 

INTRODUÇÃO

A escolha da temática baseia-se na percepção de que é muito pouco disseminado o estudo da dislexia na formação dos professores de um modo geral, para que haja uma definição de estratégias e de intervenção por parte do professor, é de extrema importância à realização do diagnóstico e da avaliação da dislexia, sendo que a partir de dados específicos o educador dará um encaminhamento mais apropriado nas atividades com ênfase na leitura e na escrita.

Parte-se do princípio que a discussão sobre o problema da dislexia é um dos entraves mais proeminentes no cotidiano da sala de aula, onde fica expresso o comprometimento da capacidade da criança em ler, entender as palavras manuscritas ou impressas, de escrever e de soletrar palavras, bem como a compreensão de textos e o raciocínio lógico, esse distúrbio interfere diretamente na aprendizagem e na linguagem do indivíduo afetado, que por sua vez podem ser, crianças, adolescentes e adultos em diferentes níveis educacionais, dificultando o processo de aquisição de leitura e escrita.

Como será visto no decorrer do presente trabalho a dislexia é um distúrbio de aprendizagem, que deve ser diagnosticado no contexto escolar através de análise e observações para com os alunos que apresentem dificuldades e/ou transtornos no quesito leitura e escrita. O diagnóstico pode ser dado por especialistas como: fonoaudiólogo, psicopedagogos, psicólogos e também é dada a escola a incumbência  de tomar iniciativas que denotem a construção de metodologias em prol do aluno com dislexia, para que este aluno venha superar barreiras através de estratégias eficazes em consonância com a contribuição coletiva da instituição escolar e também com a participação efetiva da família., assim esse aluno se sentirá acolhido por profissionais capazes de dar um atendimento significativo, eficiente, conseguindo se apropriar do conhecimento de uma forma eficaz.

Pretende-se com este estudo através de pesquisa bibliográficas, baseadas em referenciais teóricos sobre as dificuldades de aprendizagem e a dislexia no seu contexto, contribuir com os profissionais que atuam na área da educação e que tem deixado pais e professores inquietos por se tratar de algo que não conseguimos identificar através de aparências, é necessário informar a todos os envolvidos no meio educacional, a necessidade de saber diagnosticar o baixo rendimento da dislexia.

 

2. UM BREVE CENÁRIO SOBRE A DISLEXIA

Martins (2001, p.8) nos explica que pessoas disléxicas podem sim, ter altas habilidades. Pessoas disléxicas costumam ter o lado direito do cérebro mais desenvolvido que o esquerdo. Com isso, possuem facilidade para atividades ligadas à criatividade. Eles geralmente também adquirem caráter empreendedor. Por isso, a recorrência do distúrbio é grande entre cientistas, escritores e personalidades do mundo empresarial e político. Segundo Petrossi (2004, p.11), Albert Einstein, o maior físico do século XX, pai da teoria da relatividade, começou a falar tarde, tinha raciocínio lento e baixo rendimento escolar e só foi alfabetizado aos 9 anos, Leonardo da Vinci, um dos pintores mais famosos do mundo, autor de Monalisa, manuscritos acusam o distúrbio da síndrome, sendo que ele escrevia de trás para frente, traço característico de disléxicos canhotos, Thomas Edison, cientista do século XIX, inventor da lâmpada incandescente, era tido como mentalmente atrasado pelos seus professores, devido ao distúrbio, sua mãe passou a educá-lo sozinha, Agatha Christie, a mais famosa escritora policial de todos os tempos, autora de mais de 80 livros. Agatha não escrevia seus livros diretamente. Ela ditava as histórias para uma secretária ou usava um gravador, todas essas celebridades eram disléxicas.

De outro lado, os baixos índices oficiais oferecidos pela Secretaria do Estado da Educação, pode ser considerado como um medidor, que demonstra os resultados de uma alfabetização precária e ineficiente, e indica também o despreparo dos profissionais que atuam na alfabetização sem habilidade para sinalizar um aluno disléxico. Esse fator da formação do profissional é determinante para detectar e adotar uma metodologia capaz de atender as necessidades desses alunos no âmbito escolar, uma vez que se trata de uma dificuldade, um distúrbio de ordem congênita hereditária e, mesmo havendo diferentes níveis de dislexia (leve, moderado e agudo), não pode ser considerado como doença. Segundo Figueira (2012, p. 32). Ainda de acordo com o autor, vale lembrar que independente dos níveis de dislexia, o acompanhamento não visa uma cura, e sim metodologia diferenciada e adequada, no fornecimento de meios, para que o disléxico caminhe com autonomia, levando em consideração que, segundo Cândido (2013, p.13), a dislexia é um transtorno de aprendizagem e não uma doença.

[…] dislexia é um transtorno de aprendizagem que se caracteriza por dificuldades em ler, interpretar e escrever. Sua causa tem sido pesquisada e várias teorias tentam explicar o porquê da dislexia. Há uma forte tendência que relaciona a origem à genética e a neurobiologia. (Cândido 2013, p.13)

A expressão da dificuldade da fala ou da dicção segundo Fonseca, do ponto de vista comportamental, diz que a dislexia se distingue por dificuldades no reconhecimento adequado e correto das palavras e na capacidade de decodificá-las. O autor enfatiza que na grande maioria das definições, o critério da falta de habilidade no nível fonológico é constante, bem como a dificuldade no reconhecimento de vocábulos. E, em todos os estudos verificados pelo autor, ocorreu exclusão de fatores socioeconômicos e do fator inteligência. Alguns chegam a afirmar que os disléxicos são na verdade, pessoas muito talentosas, com habilidades básicas comuns que se não forem suprimidas pela sociedade, resultarão em extraordinária criatividade. (Fonseca 2011, p. 36).

Segundo Moura (2013,.p.27), os disléxicos recebem informações em uma área diferente do cérebro, portanto a assimilação das palavras contidas nos textos e contextos resultam em falhas nas conexões cerebrais, fazendo com que o indivíduo tenha dificuldades de aprender a ler, a escrever, a soletrar, enfim, o resultado é o baixo rendimento em seu aprendizado necessitando assim, métodos diferenciados e eficazes para com o tratamento desse indivíduo.Ainda segundo o autor, a explicação para detectar um distúrbio da dislexia não é uma tarefa fácil. Há alguns sinais e sintomas que podem indicar a presença da dislexia desde cedo, mas um diagnóstico preciso só é possível a partir do momento que a escrita e a leitura são apresentadas formalmente ao indivíduo, uma vez que, o distúrbio é comprovadamente genético, os especialistas afirmam que as crianças podem ser avaliadas a partir dos cinco anos de idade. (Moura 2013, p. 27).

Partindo-se de princípios de que a dislexia não é uma doença, e sim uma dificuldade que provém de vínculos genéticos, é interessante observar-se outros aspectos que correlacionam a dislexia com relação à aprendizagem. Neste contexto o autor Figueira (2012, p. 32), identifica que dislexia não significa somente dificuldades com as palavras, mas significa uma disfunção linguística. Por isso, defende-se que a dislexia não é, simplesmente, uma dificuldade de aprender as letras, possui dificuldade em identificar e organizar símbolos, ou seja, o disléxico não reconhece os símbolos, portanto, não consegue distingui-los.

Figueira (2012, p. 37), ainda expõe que aos que se deparam com um aluno disléxico, não podem perder de vista que sua dificuldade não tem nenhuma relação com desmotivação, falta de esforço, vontade ou interesse, nem sequer possui relação com qualquer deficiência sensorial. O disléxico é uma mente que por vezes supera os ditos “normais”, no entanto, ao contrário do comportamento considerado normal, para o aluno acometido dessa deficiência, necessita de uma intervenção diferenciada, uma vez que, suas mentes trabalham com maior tempo para se apropriar da aprendizagem de forma efetiva.

Para o autor há uma grande necessidade de capacitar profissionais capazes de lidar com crianças acometidas desse distúrbio. São muitas as causas que precisam ser corrigidas, no entanto, são poucos os profissionais que conhecem e entendem os problemas e suas possíveis correções e soluções.

Segundo Moura (2012, p. 15), a maioria dos tratamentos enfatizam a assimilação de fonema, o desenvolvimento do vocabulário, a melhoria da compreensão e fluência da leitura. Ajudar o disléxico a melhorar sua leitura é muito trabalhoso e exige muita atenção, mas toda criança disléxica necessita de apoio e paciência, pois essas crianças sofrem de falta de autoconfiança e baixa autoestima, pois se sentem menos inteligentes que seus amigos.

Cabe ao orientador pedagógico antes de mais nada oferecer a estas crianças (pais e responsáveis e professores) a informação que a dislexia é uma dificuldade de aprendizagem e que se deve dar oportunidades para que o aluno aprenda usando estratégias fáceis e simples, (Moura 2012, p. 17):

Diante das dificuldades propiciadas pela dislexia o autor corrobora com o sistema pedagógico citando que se a dificuldade não for detectada e equacionada adequadamente, o portador de dislexia, desencadeia um processo de conflituosidade que não se reflete apenas na escola, como também na família e no meio social. Deve-se, entretanto, criar estratégias a fim de fazer com que, os alunos acometidos desse distúrbio superem as dificuldades encontradas no processo de seu aprendizado, utilizando-se de métodos e materiais adequados, como parte de um processo de desenvolvimento linguístico que irá contribuir expressivamente para o crescimento de outros vários saberes (Fonseca 2012, p. 15).

A família e escola caminhem juntas na busca de um atendimento adequado para criança disléxica e, principalmente que a proposta pedagógica contemple atividades continuamente significativas que propiciem interações, condições cognitivas do aluno, e intervenções pedagógicas do profissional da área da educação.

 

3. Alguns Tipos de Dislexia

Embora o termo Dislexia tenha atingido maiores proporções neste início de século, levando a sociedade mundial a se divorciar de preconceitos que com frequência atingiam os indivíduos que apresentavam dislexia, a verdade é que a ciência e a medicina ainda terão que percorrer um longo caminho para amenizar o sofrimento desta classe. O problema desta síndrome é que a mesma não se apresenta de modo único, e definitivo, pois o transtorno é variável de pessoa para pessoa, existindo graus de dislexia. Em busca de auxílio para esta definição, e levando-se em consideração que existem diversas correntes que tratam da tipificação desse distúrbio, segue um quadro comparativo dos diversos tipos de dislexia:

 

3.1 Dislexia Disfonética

Segundo Ianhes (2002, p. 43), a Dislexia Disfonética é aquela em que o indivíduo apresenta dificuldades de percepção auditiva na análise e síntese de fonemas, dificuldades temporais, e nas percepções da sucessão e da duração, além de, dificuldades de estabelecer a diferenciação na análise, na síntese, na discriminação de sons, por trocas de fonemas e grafemas, alterações na ordem das letras e sílabas, bem como maior dificuldade na escrita do que na leitura são características constantes deste tipo de Dislexia.

 

3.2 Dislexia Deseidética

É marcada pela dificuldade visual do indivíduo, para Ianhes (2002, p. 44), a principal marca deste tipo de Dislexia é a dificuldade apresentada pelo indivíduo na análise e síntese de fonemas, leitura silábica, sem conseguir a síntese das palavras, aglutinações e fragmentações de palavras e trocas por equivalentes fonéticos, por isso os indivíduos, apresentam maiores dificuldades para leitura do que para escrita.

 

3.3 Dislexia visual

 Este tipo de Dislexia se dá pela deficiência na percepção visual, na coordenação visomotora (não visualiza cognitivamente o fonema), (Ianhes 2002, p. 44).

 

3.4 Dislexia Auditiva

Também levantada por. Seria a deficiência na percepção auditiva, na memória auditiva (não audiabiliza cognitivamente o fonema), Ianhes (2002, p. 44).

 

3.5 Dislexia Mista:

Este tipo de Dislexia caracteriza-se pela combinação de mais de um tipo de Dislexia. Segundo esta Instituição, os indivíduos com dificuldade de escrever, de entender matemática, que apresentem dificuldade de concentração, são hiperativos ou hipoativos também podem apresentar a síndrome Disléxica, Ianhes (2002, p. 44).

 

3.5.1 Disgrafia:

Para o autor é a falta de habilidade ou atraso no desenvolvimento da linguagem escrita, portanto, o indivíduo que apresenta esse tipo de distúrbio, tem preferência ao uso de computador, celular para construir textos, pois, para eles, é mais fácil se comparado a escrita manual, pois nesta modalidade as letras podem ser mal grafadas, borradas ou incompletas, com tendência à escrita em letra de forma. Os erros ortográficos, inversões de letras, sílabas e números e a falta ou troca de letras e números ficam caracterizados com muita frequência, Ianhes (2002, p. 44).

 

3.5.2 Discalculia

 Trata-se do indivíduo que apresenta dificuldades com a Linguagem Matemática. Esta dificuldade apresenta-se de formas variadas em seus diferentes níveis e complexas em sua origem. Podem aparecer já no aprendizado aritmético básico, bem como, tardiamente, na elaboração do pensamento matemático mais avançado. Também existem dificuldades advindas da imprecisa percepção de tempo e espaço, como na apreensão e no processamento de fatos matemáticos, em sua devida ordem, Ianhes (2002, p. 44).

 

3.5.3 Deficiência de Atenção

 É a dificuldade de concentrar e de manter concentrada a atenção em objetivo central, para discriminar, compreender e assimilar o foco central de um estímulo. Esse estado de concentração é fundamental para que, através do discernimento e da elaboração do ensino, possa completar-se a fixação do aprendizado.

 

3.5.4 BUSCA DE ALTERNATIVAS E POSICIONAMENTOS DA DISLEXIA.

 

Na busca pelo tema Dislexia, encontramos o importante posicionamento de Fonseca (1995, p. 323), quando relata que,

(...) algumas crianças poderão ter dificuldades na leitura porque lhes faltam as tendências da comunicação ou há uma disfunção da linguagem, ou ainda ambas estão afetadas. São os chamados disléxicos com isolamento social ou perturbação sócio emocionais, casos estes muito raros. A maioria dos disléxicos apresentam uma capacidade normal para se comunicar, e um desejo normal pelo contato humano. (Fonseca 1995, p. 323).

 

 O autor, ainda complementa, dissertando sobre as dificuldades enfrentadas pelos indivíduos portadores dessa síndrome, pois salienta que os disléxicos tendem, a ter mais dificuldades em aprender a falar do que os não-disléxicos, mas a dificuldade de aprender a ler é muito maior, além de apresentarem dificuldades em adquirir a escrita, essencialmente nas aquisições do ditado, os movimentos das mãos são lentos e pobres, e também têm problemas de coordenação em cópias de desenhos, (FONSECA, 1995, p. 338).  

 A dislexia entre outras circunstâncias, está diretamente ligada as circunstâncias familiares, pois, os disléxicos apresentam desordem de aprendizagem, problemas emocionais, além de terem uma predisposição masculina, contudo as crianças disléxicas apresentam talentos especiais originais (FONSECA: 1995; p.329). Nesse contexto das necessidades de diagnosticar a Dislexia o autor ressalta a necessidade do envolvimento de profissionais de diferentes áreas da saúde, como Psicólogos, Fonoaudiólogos, Oftalmologistas e neurologistas, e estes profissionais  deverão investigar a ocorrência específica em atendimento, quanto ao psicólogo, conduzirá a avaliação emocional, perceptual e intelectual; o pedagogo fará a avaliação acadêmica; a fonoaudióloga poderá conduzir a avaliação audiométrica cujo objetivo é descartar possível déficit auditivo; o médico oftalmologista realizará o exame de acuidade visual com o objetivo de excluir alguma deficiência na visão enquanto o médico neurologista irá realizar o exame neurológico tradicional (ENT) e o exame neurológico evolutivo (ENE), para o afastamento de qualquer comprometimento neurológico.

 

3.5.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A Dislexia é um distúrbio específico da aprendizagem que alcança sobretudo a linguagem, se caracterizando pela dificuldade em decodificar palavras simples, embora a criança apresente instrução pedagógica e tenha inteligência razoável. A síndrome não discrimina ricos ou pobres, mas as possibilidades de diagnóstico, são menores na periferia, por falta de profissonais qualificados. Estudos estão sendo realizados em abundância nas áreas biológicas, linguísticas, neurológicas, auditivas e visuais, e em sua maioria, os pesquisadores concluem  que a síndrome é genética e hereditária. O desconhecimento do distúrbio disléxico por parte de pais, professores e sociedade torna-se um fardo pesado para a criança disléxica, que se vê sozinha, em face de uma sociedade inculta e preconceituosa, que comumente o rotula de “burro” e “preguiçoso”. Diante disso, resta a este aluno disléxico a esperança de encontrar um professor preparado, que consiga suspeitar dos sintomas que o acometem, sugerindo à escola e aos familiares um encaminhamento clínico, a princípio, a um Psicopedagogo, e após, a uma equipe interdisciplinar que contará também com Fonoaudiólogo e Psicólogo, não obstante a reação negativa dos pais que muitas vezes não entendem o que se passa com o seu filho. Esta reação dos pais se explica pela dificuldade de conhecimento e de definição do que é Dislexia, distúrbio que raramente é apresentado à sociedade pela escola ou pela mídia, levando pais e sociedade, em muitas ocasiões, a não compreenderem os reais motivos de seus filhos se evadirem das instituições de ensino. É importante a escola, pais e sociedade ouvirem o bradar de nossas crianças disléxicas. Uma criança com Dislexia com frequência apresenta problemas emocionais, especialmente em famílias mais carentes, devido à falta de tratamento psicológico diante dos acontecimentos que a acometem ao longo de seu caminhar acadêmico. Portanto, para se evitar um prejuízo acadêmico e cessarem as frustrações, faz-se necessário um diagnóstico rápido da Dislexia, bem como, um acompanhamento profissional competente, além da orientação familiar e escolar, para que não se estabeleçam culpas e descrenças e sim, uma forma de compreender que a Dislexia é uma dificuldade e não impossibilidade, se estabelecendo assim, quais as melhores formas de aprender.

 

Acreditamos não ser necessário uma inovação educacional separada dos parâmetros atuais, mas sim em um estímulo entre alunos, professores e familiares para a construção de um conhecimento mais abrangente e participativo, pois cada criança aprende com sua família e com a sociedade a que pertence. É preciso, portanto, ter paciência, acreditar que todos são capazes e aguardar que a educação inclusiva possa ser tratada com maior atenção e carinho, pois cada um aprende dentro de seus limites, e os especiais se destacam pela vontade de poder participar deste processo de aprendizagem como todos os outros, ou seja, como um ser humano cheio de qualidades e vontade de aprender. Sendo assim, o acolhimento ao aluno disléxico pelas instituições de ensino, especialmente os mais carentes, torna-se imprescindível, pois as escolas existem para formar as novas gerações, e não apenas alguns de seus membros.  Além disso, o Estado tem que investir maciçamente na formação de professores que detenham o conhecimento para a lida com a educação especial e principalmente com a Dislexia.

Os profissionais que realizam o diagnóstico e o tratamento são investimentos que não podem sofrer vista grossa de nossos governantes, embora profissionais em educação pública com conhecimento em inclusão e uma equipe interdisciplinar atuante, ainda nos parecem projetos utópicos, tendo em vista a demora Estatal em liberar investimentos para a real implementação da educação inclusiva, apesar da Constituição Federal e as Convenções Internacionais a exigirem já há algum tempo.

A síndrome disléxica não possui cura, mas com o devido diagnóstico e tratamento, as crianças disléxicas chegam a ter saltos de desenvolvimento com melhora acentuada. O lema para o ensino da leitura a disléxicos, é ter muita força de vontade, uma vez que as portas da educação estão sempre abertas, a qualquer tempo, para que aqueles que amadureçam tarde tenham a oportunidade de alcançar seu pleno potencial. Dislexia não é uma doença contagiosa, e sim um transtorno de aprendizagem, que acomete milhares de crianças no mundo todo. Por isso, diagnosticar, avaliar e tratar a Dislexia, conhecer seu tipo, sua natureza, é dever do Estado e da sociedade, acabando por se fazer um direito de todas as famílias com crianças disléxicas em idade escolar.

 

 

Bibliografia

 

FAGUNDES, Liliana Maria Rosa. O sentido da letra: leitura, dislexia, afetos e aprendizagem. Porto Alegre: Editora/Edições Est. 2002.

IANHES, Maria Eugênia; NICO, Maria Angela. Nem sempre é o que parece: Como enfrentar a dislexia e os fracassos escolares. 10ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2002.

FONSECA, 2011- V. Introdução às dificuldades de aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, (1995).

CÂNDIDO, Edilde da Conceição. Psicopedagogia para a dislexia nas séries iniciais do ensino fundamental. Especialização em Psicopedagogia. Universidade Cândido Mendes. Rio de Janeiro: RJ. 2013.

Disponível em: http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/T208833.pdf. Acesso em: 20/11/2017.

FIGUEIRA, Guilherme Luiz Mascarenhas. Um olhar psicopedagógico sobre a dislexia. Especialização em Psicopedagogia. Universidade Cândido Mendes. Niterói: RJ.2012: Disponível em:

 http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/N204682.pdf. Acesso em 20/11/2017.

FONSECA, Rosamaria Maria Reboredo Martins da. O desenvolvimento da competência linguística na Dislexia. Especialização em Psicopedagogia Institucional. Universidade Cândido Mendes. Rio de Janeiro: RJ. 2011. Disponível em: http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/G200735.pdf. Acesso em: 19/11/2017.

MOURA, Suzana Paula Pedreira Tavares de. A dislexia e os desafios pedagógicos. Especialização em Orientação Educacional e Pedagógica.