Debate de Ideias sobre a Educação Especial: Integração Escolar ou Inclusão?

Debate de Ideias sobre a Educação Especial: Integração Escolar ou Inclusão?

THE GRENDAL COLLEGE AND UNIVERSITY

  PROGRAMA DE MESTRADO INTERNACIONAL EM CIÊNCIAS

 EDUCAÇÃO

 

ELDER DOS SANTOS RAMIRES

Orientador: Prof. Dra. Allyne Evellyn F. Gomes

 

DEBATE DE IDEIAS SOBRE A EDUCAÇÃO ESPECIAL: INTEGRAÇÃO ESCOLAR OU INCLUSÃO?

 

RESUMO: O presente artigo faz parte de uma sequência de seis artigos que fazer uma análise da política pública de educação especial no Brasil, pois muito se discute sobre Integração escolar e Inclusão. E há muita distorção na interpretação do que se deseja mudar na educação. “A discussão cria polêmicas, provoca corporações de professores e de profissionais da saúde que atendem pessoas com deficiência, “mexe” com as associações de pais, afeta os professores de educação especial e envolve grupos de pesquisa das Universidades”, segundo Mantoan, 2002.

Conseguir lidar com as diferenças é sempre um desafio, e os professores do Ensino Regular consideram-se incompetentes para trabalhar e atender os alunos com deficiência, uma vez que, sempre foram atendidos pelos colegas especializados. Por outra vertente, há os pais de alunos não deficientes, que não querem a inclusão. Pensam que a qualidade do ensino nas escolas, podem piorar se receberem os alunos deficientes. Enfim, Integração/Inclusão têm significados diferentes, mas se fundamentam conforme Teorias Metodológicas divergentes.

 

Palavras-Chave: Política Pública, Educação Especial, Atendimento Educacional.

 

ABSTRACT: Much is discussed about school integration and inclusion. And there is much distortion in the interpretation of what one wants to change in education. "The discussion raises controversies, provokes corporations of teachers and health professionals who care for people with disabilities," moves "with parent associations, affects special education teachers, and involves university research groups," according to Mantoan, 2002.
Achieving coping with differences is always a challenge, and Teachers of Regular Education consider themselves incompetent to work and care for students with disabilities, since they have always been attended to by specialized colleagues. On the other hand, there are parents of non-disabled students who do not want inclusion. They think that the quality of teaching in schools can worsen if they receive disabled students. Finally, Integration / Inclusion have different meanings, but they are based on divergent Methodological Theories.

 

INTRODUÇÃO

A pesquisa na organização do trabalho pedagógico se torna estimulante, pois nos permite repensar as práticas no trabalho, quando tem relação com as escolas inclusivas, costuma envolver aspectos políticos, administrativos, filosóficos, gerenciais e psicopedagógicos.

Neste estudo, damos um destaque aos aspectos filosóficos, sociais e políticos. A pesquisa deve ser vista como princípios científicos e educativos, que colaboram com a formação do saber do aluno, saber fazer e saber ser, utilizando assim, dois dos quatro pilares da educação, incluindo o aluno como cidadão. O tornando crítico, produtivo e participativo na comunidade onde reside.

Vamos iniciar as pesquisas na organização do trabalho pedagógico, problematizando o atendimento educacional em duas vertentes: centrado no ensino onde o sujeito é o professor e centrado na aprendizagem, tendo o aluno como sujeito.

No trabalho pedagógico centrado no ensino, “ensinar” é a principal ação do trabalho pedagógico. O papel do professor foi reduzido à transmissão de conhecimentos e a aprendizagem dos alunos que é o objeto de aprendizagem, resume à outra cópia, sempre. Daquilo que o professor aprendeu e aprende a copiar.

Outro recurso utilizado é a inculcação, para complementar as aulas dos docentes e colaborar com a memorização dos exercícios de aplicação. O aluno limita-se a marcar as respostas certas ou a sequência determinada. Com esse trabalho pedagógico centrado no ensino, não se valoriza a construção do saber, a criatividade, o aprender a aprender e o aprender a saber pensar são secundários.

Em primeiro plano, estão a metodologia didática, (como repassar o conhecimento); os recursos instrucionais (o que usar para melhorar a apreensão do conhecimento pelos alunos), com as sugestões dos exercícios (para intensificar a fixação dos conhecimentos); com os reforços (como premiar o bom aluno e como desestimular o aluno com dificuldade).

 Quando o ensino é privilegiado, mesmo nas escolas inclusivas, não se valoriza as pesquisas no trabalho pedagógico. Ela torna-se eventual, e geralmente, o trabalho acaba recaindo sobre os pais, pois eles têm que sair à caça do material de pesquisa, e reclamam, pois, se torna cansativo.

 

O PAPEL DO PROFESSOR NESTE PROCESSO

Ao falarmos do trabalho pedagógico centrado na aprendizagem do aluno, notamos muita diferença. O aluno neste modelo de trabalho é percebido como sujeito do processo e não como objeto, (um copiador de informações recebidas em sala de aula).

O professor consciente é mais comprometido, politicamente, e equaliza oportunidades. A construção do conhecimento envolve igualdade de oportunidades para ser um cidadão.

O professor se enxerga no seu papel sociopolítico educativo, não se contenta mais com o ato de apenas reproduzir. Sua ação pedagógica se transforma do ensinar para o aprender, não importa quem aprende, o foco deve ser aluno-professor.

O professor, além de aprender, passa a facilitar a construção de conhecimentos e da competência inovadora. Portanto, a organização curricular se estrutura em função dos alunos, das suas necessidades especiais no âmbito da educação, para construir o próprio conhecimento e aprender a pensar.

Quando a educação privilegia a aprendizagem, a pesquisa colabora com o desenvolvimento do aluno em atividades de transformação dos objetos estudados, a partir de saberes constituídos. O aluno deve, ao mesmo tempo, aprender a aprender e o saber pensar.

Para valorizarmos a prática de pesquisa como atividade básica em escolas inclusivas se exige a revisão radical das propostas educativas e seus instrumentos “...educadores e pais devem se integrar em ampla discussão, ganha destaque a questão filosófica sobre o papel da escola direcionada para compromissos construtivos, numa dimensão sociológica” diz Rosita Edler Carvalho.

Sabemos que a construção do conhecimento é o alicerce da pesquisa e o manejo de dados serve para estimular e desenvolver o espírito questionador e responder; o desejo de saber mais, construir novas teorias para descobertas práticas. Torna-se importante praticar teorias a teorizar a prática numa real construção ou reconstrução do conhecimento. E nesse contexto, o aluno participa como sujeito, crítico e criativo, o que não é copiar da cópia e acumular informações.

A Pesquisa não deve ser uma prática apenas dos cientistas. E embora a pesquisa seja algo sofisticado e os especialistas precisam de lugares e horários especiais para realizar o trabalho, ela não depende da sofisticação.

A pesquisa é uma atitude desafiadora da realidade, um questionamento sistemático e crítico, que pode acontecer a qualquer hora e em qualquer local.   A pesquisa, também é uma atitude inclusiva de cada um, dentro do seu contexto e nem sempre é aceita de forma passiva. Muitas vezes, passa a ser objeto de questionamento, para que ocorram boas mudanças.

Agora, questionamos sobre como podemos implementar a atividade de pesquisa na organização do trabalho pedagógico, principalmente, nas escolas que adotam a proposta inclusiva ou/e integradora.

Primeiramente, vamos delinear os gêneros de pesquisa, tal como são elencados, didaticamente, na literatura especializada, como os exemplos relacionados abaixo:

  1. Pesquisa Teórica

Voltada para a (re) construção do saber. Busca em várias fontes informações sobre o tema a ser estudado para conhecê-lo e saber como tem sido abordado por diferentes autores e em vários contextos diferentes.

Na prática, tem o foco na aprendizagem do aluno. O aluno sendo protagonista do seu próprio conhecimento, visitando bibliotecas; deve se organizar e frequentar cantinho de leitura na sala de aula ou qualquer outro ambiente alternativo com livros, revistas, jornais, com a ajuda do professor; assistir filmes em cinemas ou na escola e realizar debates sobre os temas que eles tratam; fazer entrevistas sobre temas de interesses comuns, que serão apresentadas posteriormente. Por isso, devem ser registradas de forma oral ou por escrito.

O importante é reunir o maior número de informações sobre os temas pesquisados, esse é o objetivo da pesquisa, que o aluno consiga reunir o máximo de informações que vão colaborar com a busca do conhecimento.

Os alunos, de uma forma cooperativa, descobrirão e depois socializarão as redescobertas para depois sistematiza-las em conjunto com o professor, que age sempre como apoiador e mediador.

O desafio do aprender a aprender e o saber pensar deve ser incentivada e a pesquisa teórica colabora muito com a formulação de conceitos, para a argumentação, e para completar, para o raciocínio lógico.

 

  1. Pesquisa Metodológica

É dirigida à coleta de dados e para a (re) construção dos instrumentos para observar a realidade. É um gênero interligado à pesquisa teórica. Um estímulo à reflexão dos alunos que estão em busca da coerência entre o descobrir, conhecer, relacionar e os instrumentos mais adequados aos fins que desejam.

Possíveis alternativas metodológicas induzem à prática da pesquisa teórica a respeito e garantem à vontade para conseguir desenrolar os trabalhos em que será utilizada.

Todas as “trocas” decorrentes, em ambientes inclusivos e democráticos servem para desenvolver atitudes cooperativas e colaboram para a busca do conhecimento, estimulam o raciocínio e a capacidade crítica.

3.    Pesquisa Empírica

Costuma ser a preferida por estar diretamente ligada à realidade. È um                             gênero de pesquisa interessante e traz dados objetivos. Mas devemos lembrar que só os dados não bastam para realizar a (re) construção do conhecimento. Não se deve prescindir da base teórica e da discussão dos meios e maneiras que facilitem a aproximação da realidade. A pesquisa empírica é usada para: estudos exploratórios com alunos, na escola ou em trabalho de campo; registro de dados observados; coleta, organização e classificação de materiais diversificados; estudo de materiais coletados, sejam dados registrados ou objetos observados; realização de experimentos; produção de um novo saber em relatórios, desenhos, etc. Correlação entre as descobertas ou achados e as disciplinas curriculares.

Essas sugestões de pesquisas empíricas podem ser usadas no trabalho pedagógico, com qualquer aluno, especial ou não.

4.    Pesquisa Prática para a intervenção direta na realidade. Proposta de mudança imediata a ser concretizada numa teorização da prática imediata.

O grande usuário da pesquisa prática é o professor, porém os estudantes também têm a possibilidade de uso. Voltada para o concreto, o cotidiano do trabalho pedagógico, o professor pode extrair inúmeras aprendizagens.

 

INTEGRAÇÃO ESCOLAR

Integração Escolar é o mesmo que inserção escolar de alunos com deficiência nas escolas comuns, mas pode ser usada, também, para designar alunos agrupados em classes especiais, em escolas especiais para pessoas com deficiência, residências ou grupos de atividade esportiva ou lazer para deficientes.

Desde 1969, nos países nórdicos, existem movimentos em favor da Integração de crianças com deficiência, e desde então, há um questionamento sobre as práticas sociais e escolares de segregação. Como base, para a discussão, usam o princípio de normalização, que atinge atividades humanas e manifestações em todas as etapas da vida das pessoas, com algum tipo de deficiência ou não.

Como vimos, não é específico da vida escolar. A Integração abre um leque imenso de possibilidades educacionais à criança com deficiência, seja no ensino regular ou em classes de escolas especiais. O aluno pode, dentro do processo de integração, transitar no sistema escolar: classe regular, escolas especiais, ensino itinerante, salas de recursos, classes especiais em escolas comuns, classes hospitalares, ensino domiciliar, etc. Enfim, há uma segregação de serviços.

Alunos com deficiência nem sempre são integrados nas turmas de Ensino Regular, geralmente, acontece uma seleção prévia de aptidão à inserção. Para esses, os currículos são adaptados, há a individualização dos programas escolares, as avaliações são especiais e há a redução dos objetivos educacionais, no intuito de compensar as dificuldades de aprender. Em suma, os alunos se adaptam à escola, pois a escola, no geral, não muda.

 

INCLUSÃO ESCOLAR

A Inclusão é o questionamento sobre as políticas públicas, sobre a organização da educação especial, da regular e sobre o conceito de integração. Sua incompatibilidade com a integração é clara, pois a inclusão prevê a inserção escolar de forma radical. Defende a inserção completa e sistemática. De acordo com a inclusão, todos os alunos devem frequentar as salas de aula do Ensino Regular, sejam eles ditos “normais” ou com algum tipo de deficiência.

A Inclusão não quer deixar ninguém fora do Ensino Regular, desde o começo da vida escolar. As escolas inclusivas propõem uma Organização Educacional que levem em conta as necessidades de todos os alunos e se estruturem em função disso.  Enquanto que, a Integração tem o objetivo nítido de inserir um aluno ou um grupo de alunos que já foi excluído, anteriormente.

Portanto, na Inclusão ocorre uma mudança de perspectiva educacional, uma vez que não atinge apenas os alunos com deficiência e aqueles que apresentam dificuldades de aprender, mas todos os outros para que se mantenham na corrente educativa com sucesso.

Os Educadores inclusivos têm uma grande preocupação com os alunos com deficiência. Embora, saibamos, que a maior parte dos alunos que fracassam na escola, não vem do ensino especial, mas provavelmente, irão acabar nele, segundo Mantoan, 1999).

A Inclusão exige que haja uma mudança de paradigma educacional, a qual, falamos anteriormente. O atendimento às diferenças, nas escolas, é feito sem discriminação ou trabalho à parte com alguns alunos. Além disso, não estabelecem regras específicas para planejamento e avaliação de currículo, atividades e aprendizagem de alunos com deficiência e necessidades educacionais especiais.

Marsha Forest compara a inclusão ao Caleidoscópio educacional. Ela é complexa quando está completa. Diz que as crianças se desenvolvem, aprendem e evoluem melhor em um ambiente rico e variado. Para formarmos uma geração à base de um projeto de educação inclusiva é necessário que haja cooperativismo e fraternidade, reconhecimento e valorização das diferenças, mas não podemos excluir a interação como universo do conhecimento, nas diferentes áreas.

A Escola Inclusiva conhece os conteúdos acadêmicos, valoriza o conhecimento científico, sistematizado, porém, não se restringe a instruir os alunos ou dominá-los a qualquer preço. Claudia Dechichi diz que sobre as atividades “é fundamental que todo aluno participe neste momento”. “Também” tanto faz desempenhar a mesma tarefa do resto da turma num ritmo diferente como ser orientado a fazer outra versão de determinada atividade. O importante é que ele construa conhecimento. ”

Existe uma ressignificação no trabalho, do papel da escola, dos professores, pais e comunidades interessadas. A convivência deve ser solidária e plural. É a escola que deve mudar, não o aluno, pois o direito à educação é natural e indisponível. Por isso, devemos lutar por uma escola para todos, sem discriminações ou preconceitos. Sem ensino à parte, independente da classe social, se as nossas crianças são mais ou menos abastadas financeiramente. Quando falamos de Educação Inclusiva, a escola é compreendida pelo seu potencial democrático, espaço de participação e aprendizagem.

 Vamos citar abaixo o conceito de Inclusão e tentar entender o que é, e o que não é inclusão.

Inclusão é atender aos alunos portadores de deficiência nas vizinhanças de sua residência; providenciar o acesso deles às classes comuns; oferecer suportes técnicos aos professores da classe comum; notar que as crianças podem aprender juntas, embora os objetivos e os processos sejam diferentes; os professores devem vir a usar a criatividade, durante sua atuação com crianças portadoras de deficiência; os professores de classes comuns devem usufruir de um tratamento integrado.

É importante, também, sabermos o que não é Inclusão, por isso citamos a seguir:

Encaminhar as crianças às classes comuns, sem um professor especializado para o acompanhamento das mesmas; fazer as crianças estudarem num processo único de  educação e desenvolvimento, sem adaptação, ao mesmo tempo e para todas as idades; ignorar as necessidades especiais e específicas de cada criança; finalizar o atendimento de educação especial, antecipadamente; querer que os professores da classe regular ensinem as crianças portadoras de deficiência, sem ao menos oferecer um suporte técnico.

Temos que nos lembrar que há uma grande diferença entre o princípio da normalização e da inclusão. O Princípio da Normalização trata de uma colocação seletiva do indivíduo que é portador de necessidades especiais na classe comum. Quando isso acontece, o professor não recebe um suporte do professor na área de educação especial. Quanto ao Processo de Inclusão, este se refere a um processo educacional que visa ampliar a capacidade da criança portadora de deficiência na escola e classe regular. Isso envolve suporte de serviços da área de educação especial, intermediada por seus profissionais. A Inclusão é um processo contínuo e que precisa ser revisto, frequentemente.

 

A INCLUSÃO COMEÇA EM CASA: FAMÍLIA E DEFICIÊNCIA

A família é um grupo social primário que tem uma função muito importante no desenvolvimento global do indivíduo. É a partir da base e estrutura familiar que a criança começa a construir o seu “eu” e então, começará a se relacionar com outros grupos. A Auto estima e a formação da criança depende muito da orientação e da aceitação familiar.

Essa influência se modifica com o passar dos anos e o desenvolvimento da criança, porém é essencial a necessidade de acompanhamento e apoio, principalmente, quando ocorrem crises financeiras, na saúde, na escola ou na aprendizagem geral.

Quando uma família descobre uma deficiência em um dos seus, vivem, inevitavelmente, um momento de crise e daí surgem sentimentos como: choque, raiva, medo, angústia, vergonha, revolta, culpa, negação... Sentimentos totalmente normais no momento e devem ser compreendidos.

Com a globalização e no contexto cultural atual em que vivem as famílias, os indivíduos consideram “inferiores” pessoas diferentes dos modelos tidos como normais. Portanto, é possível que a família que tem um de seus integrantes com características “diferentes”, em termos físicos, sensoriais, de raça, de gênero, etc., se sinta inferiorizada perante as demais famílias que compõem a sociedade. Porém, com o tempo e a devida assistência, vai superar estes sentimentos e buscar transformá-los.

Tanta novidade objetiva e subjetiva podem trazer conflitos e desequilíbrio na vida familiar, pois as pessoas se sentem frágeis e impotentes, são tomadas de sensações de insegurança e medo diante da nova realidade que vivenciam. Encarar e superar esta crise, dependerá da forma como cada família vai lidar com o contexto. As características individuais e da família e a forma como se relacionam entre si e com o mundo será primordial.

Depois do susto e da reação inicial da família, quanto à deficiência, começa a fase de associação de fatores que ajudará muito na forma como todos vão lidar com a nova realidade.

Serão investigados a história anterior da família, procurarão justificativas para a deficiência em questão, pensarão sobre o grau de comprometimento da pessoa portadora de deficiência, a forma como foi transmitida a notícia, as chances de cura ou níveis de progresso da doença, o nível socioeconômico da família, etc. Ou seja, a forma como a família lida com a situação, às vezes, influencia mais que a limitação orgânica por si só.

Toda família tem suas próprias características e organização interna, porém, podem passar por um período de adaptação para aceitação, no qual surgem algumas reações emocionais como tristeza, desamparo, desespero, sensação de incredulidade e negação do diagnóstico, sensação de desorientação, incorporação de pessoas com deficiência e familiares destes, ao círculo familiar e de amigos. Enfim, para conseguirmos “Reconstruir”, é necessário antes, “desconstruir” a realidade, encontrar formas de se adaptarem, transformar o “problema” da deficiência em “desafio” a ser vencido.

Para quem não sabe, o desenvolvimento da pessoa com deficiência está diretamente relacionado com o processo de aceitação da família. Acreditar no desenvolvimento do deficiente, buscando recursos especializados; crer no potencial e competência, reconhecendo a individualidade da pessoa com deficiência, são gestos fundamentais para que essa pessoa consiga enfrentar e fazer parte da sociedade, que não é justa com os mais frágeis. Mas com a força da família é possível ter a liberdade de assumir um lugar, aquele que escolher e desejar ocupar em nossa sociedade. Para desenvolver, a criança depende da família para apresentar o mundo à ela. Chamando sua atenção, incentivando e orientando o uso dos sentidos, e muitas vezes, os pais não sabem como agir para suprir as necessidades da criança deficiente, entender quais seriam suas possibilidades e limitações.

Depois do impacto vivenciado pela família com a chegada de um bebê com deficiência, rompendo as expectativas sociais e valores culturais. Passado o trauma, não só para a mãe, mas para toda a família, todos terão que se adaptar, acolher e auxiliar o desenvolvimento dessa criança, sentida como “estranha”. Muitos pais entram em um estado de “luto” familiar, e sair dessa crise, vai exigir bom senso e superação. Os pais devem ser lembrados, que é importante perceber que o bebê e a criança com deficiência têm um ritmo diferente em seu desenvolvimento e que isso deve ser respeitado; incentivar a estimulação sensorial global, além de ensiná-la a brincar com qualquer criança, estimular a criança a se movimentar ou/e andar; ajudá-la a desenvolver sua linguagem e conceitos.

Podem ocorrer na família, após a chegada de um bebê com deficiência: conflitos entre os pais, muitas vezes, por divergência de ideias, em relação à deficiência do filho; dificuldade de relacionamento com os outros filhos, ou mesmo, entre os irmãos. Isso pode ocorrer por competição por atenção ou até mesmo, pela falta de entendimento das necessidades diversificadas. Pode haver, também, redução da satisfação sexual e conjugal, separação e rompimento definitivo, dificuldades econômicas.

O isolamento da vida social, também, pode acontecer para evitar questionamentos sobre o deficiente, rejeição e interesse sobre o que está sendo feito por ele. Diante do quadro, é importante que a família se reúna, fale sobre as dificuldades e sentimentos de cada um, sobre a deficiência e melhores ações para amenizar o choque. Também, precisam aprender a falar sobre a deficiência fora do eixo familiar, para que a criança deficiente não sofra toda a carga de emoções, às vezes, negativas e não sofra isolamento. Pois, necessitará ser estimulada e observada, com frequência, para que sejam exploradas todas as suas possibilidades, dentro de suas limitações.

A família da criança com deficiência não deve hesitar em procurar por ajuda. Existem equipes de apoio e trabalhos especializados em deficiência. Isso ajudará com informações e orientações para a criança e toda a família, apresentando formas de lidar com o bebê nos primeiros meses e anos de vida

 

FAMÍLIA E INCLUSÃO ESCOLAR

Um momento muito importante para a família, é quando a criança começa a frequentar a escola: creche, pré-escola ou ensino fundamental. A entrada na escola representa um novo mundo para a criança e sua família, por isso os pais se sentem tão ansiosos, inseguros e preocupados, uma vez que todos vão vivenciar novas situações, não só de aprendizagem, mas talvez de preconceito e rejeição por parte da equipe escolar, dos outros alunos e até dos pais destes. É importante que a família saiba que sua criança com deficiência têm os mesmos direitos educacionais, de todas as outras crianças, conforme previsto nas leis de inclusão escolar, e de frequentar os espaços escolares comuns a todos os alunos. Os pais podem e devem exigi-los. Se está na Lei de Inclusão, deve se tornar realidade.

Muitas atividades pedagógicas podem e devem ser adaptadas no espaço escolar, na educação infantil e pode ocorrer de forma natural, através de brincadeiras de atividades coletivas, etc. Outro item importante, é que as famílias conheçam os métodos empregados e materiais específicos utilizados na aprendizagem da criança. As famílias devem saber que podem auxiliar a criança com deficiência na ampliação, criação e adaptação dos materiais pedagógicos, além de incentivar o uso de recursos especiais, e quando necessário, ter o auxílio especializado para colaborar com um melhor desenvolvimento visual, auditivo, motoro, psíquico, etc.

Existem instituições que oferecem atendimentos especializados em múltiplas deficiências e a participação da criança com deficiência e familiares nestas instituições, podem e costumam contribuir para maior tranquilidade, tanto dos familiares, quanto dos próprios profissionais envolvidos, que poderão contar com orientações e auxílio para cuidar da criança, principalmente, aquela que traz uma situação nova para a escola.

Quanto à entrada no Ensino Fundamental, o aluno deficiente, além de ter direito à frequência na escola comum, ele tem também, direito de acesso ao material adequado para seu aprendizado, que deve ser providenciado pela escola. O CAPEs (Centro de Apoio Pedagógico Especializado) são unidades governamentais, que são responsáveis por apoiar a unidade escolar e o aluno com deficiência. Eles atendem as necessidades de todos os Estados do Brasil.

 

CONCLUSÃO:

Enfim, a participação dos pais é essencial em todas as fases de inclusão escolar. Devem participar de reuniões, falar com os professores, ajuda-los na troca de informações e de materiais com os profissionais das especialidades envolvidas, acompanhar e ajudar nas tarefas de casa, e principalmente, observar o comportamento da criança deficiente e dos outros em relação a ela.

Concluímos, então, que o trabalho pedagógico é essencial nas escolas inclusivas. Através da prática da pesquisa se impõe à apropriação do saber e do saber fazer de todos os alunos, ela contribui com a cidadania e o mais importante, sem discriminação, para termos uma sociedade mais justa.

Por fim, mantenho a análise sobre educação especial nos artigos seguintes elencando outros pontos tão importantes quanto os aqui abordados.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AQUINO, Julio Groppa, Diferenças e Preconceito na escola. Summus Editorial, 1998, SP

CARNIEL, Fagner. FEITOSA, Samara. A Sociologia em sala de aula: diálogos sobre o ensino e suas práticas. Base Editorial, 1ª edição, 2012 – Curitiba.

COSTA, Antônio Carlos Gomes da. Pedagogia da Presença – Da solidão ao Encontro. Modus Faciendi, 2ª edição – Belo Horizonte 2001.

FARREL, Michael. Deficiências Sensoriais e incapacidades físicas Estratégias educacionais em necessidades especiais). ARTMED, 2008

FOREST, MARSHA e PERARPONT, JACK PEARPOINT. Inclusão: ela tem a ver com mudança!: Fonte: http://inclusaoja.com.br/

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. INCLUSÃO ESCOLAR O QUE É? POR QUÊ? COMO FAZER? Moderna Editora São Paulo 2010.

MITTLER, Peter. Educação Inclusiva – contextos sociais. Porto Alegre: Artmed, 2003.

 

REVISTAS ONLINE

http://inclusaoja.com.br/

www.revistaacademicaonline.com

FONTES DOCUMENTAIS

-BRASIL. MEC. INEP. LDBEN 9394/96 que estabelece as Diretrizes e bases da educação nacional. Brasília,
1996.  

-Decreto Federal 3298/1999.

-Decreto Federal 5296/2004.

-Instrução CGEB 14/01/2015.

-UNESCO. The Salamanca statement and
framework for action on special needs education. Spain, 1994.

-Convenção da Guatemala, promulgado por
Decreto em 2001

-RESOLUÇÃO SE 61, de 11-11-2014 que
dispõe sobre a Educação Especial nas unidades escolares da rede estadual de
ensino. D.O.E. – Executivo I – 12-11-2014 – página 34