Brincadeira: a importância do brincar na educação infantil

Brincadeira: a importância do brincar na educação infantil

Brincadeira: a importância do brincar na educação infantil

 

 

Luciana Carvalho dos Reis1

Claudineia Lima de Oliveira Cecotti2

                                                                                                            Erika Daniel Rangel3

Kênia Aiolfe Lima4

 

 

O brincar é algo que faz parte da criança, é ao brincar que a criança consegue expressar seus sentimentos mais verdadeiros, e aprendizagens que só ali, naquele momento somos capazes de perceber e analisar. Quando brinca ela torna reais os seus sonhos e revive experiências do seu dia a dia e isso a faz capaz de buscar o conhecimento a respeito do mundo e de si própria. Brincando está em contato com outras crianças, encena momentos de sua vida individual e coletiva, brinca, deseja, aprende, observa, constrói sentidos, age e reage ao brincar, aprendendo assim, a enfrentar o mundo e a sociedade onde está inserida.

Entretanto, entendemos que o brincar é um direito da criança, e brincando ela está se desenvolvendo no campo sociológico, pois quando brinca está em contato com outras crianças, de várias idades, culturas e religiões diferentes. No campo educacional, cada criança traz o seu conhecimento e ao se juntar trocam experiências, e o professor pode estar presente para mediar essa troca. Já no campo psicológico segundo Friedmann (2006), “o brincar pode ser visto como um meio para compreender melhor o funcionamento psicológico, emocional e pode ajudar a entender a personalidade dos indivíduos”.

Com o brincar as crianças desenvolvem noções de espaços temporais, a oralidade, a desenvoltura, a organização e muito mais, pois tem mentes férteis capazes de tornar o imaginário real. É através do brincar que ela se torna capaz de reverter o egocentrismo e aprende a partilhar e tomar iniciativas próprias, emitir opiniões, sugerir. Brincar, brincar e brincar deve ser o lema da criança.

A criança precisa e deve ser estimulada a brincar, pois assim terá seus sentimentos, conhecimentos e muitas habilidades expressadas de forma real e prazerosa. De acordo com o inciso IV, do Art. 16 da Lei 8069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) “é direito da criança brincar, praticar esportes e divertir-se.”

Compreendemos que o brincar é fator muito importante no desenvolvimento da criança, mas, diante das turbulências do dia a dia vemos que nossas crianças tem brincado cada vez menos, os pais precisam trabalhar, e com isso os brinquedos tecnológicos ocupam o espaço da ludicidade na vida de nossas crianças, e estas acabam não indo mais brincar com amigos em praças e parquinhos, prática que é fundamental no desenvolvimento sociológico, no respeito mútuo, e no desenvolvimento intelectual, no equilíbrio emocional e na autonomia da criança. Segundo Moreira (2008, p. 88),

Viver é conviver, e na convivência não nos relacionamos apenas com a mesma faixa etária ou com os mesmos grupos sociais. Nosso dia a dia é permeado de relações múltiplas, de gênero, de grupos de interesses, de localizações geográficas de moradia. (MOREIRA, 2008, p. 88)

Moreira, destaca a convivência com grupos sociais e o fato da criança brincar com outras crianças e até mesmo com os pais em casa, faz com que percebamos o adulto que ela pensa em se tornar. Ainda entendemos, a importância da aceitação do lúdico por parte do profissional da educação, pois é através de sua interação, sugerindo novos tipos de brincadeiras e aproveitando as ideias que as crianças propõem que o aprendizado acontece. Independente da faixa etária ou da etapa de aprendizagem em que se encontra o educando. O brincar direcionado e com objetivos pré-estabelecidos, ou seja, planejado, sempre será um instrumento de valia e peso na aprendizagem. A nossa pesquisa será desenvolvida no Centro de Educação Infantil Municipal Abigail Silva de Andrade, com as turmas do primeiro ano. Para isso, entendemos que brincar é uma atividade prazerosa e por isso a criança se interessa por ela e, ao mesmo tempo, vai construindo regras de convivência e interiorizando conceitos básicos para a socialização e aprendizagem que estruturarão a formação do seu ego.

Entender o interesse das crianças pelas brincadeiras, parece fácil, justamente por ser tão prazeroso. Mas, se é algo tão agradável como podemos associá-lo ao ensino e obter a aprendizagem tão almejada pelos professores de séries iniciais? Segundo Rodrigues, a criança se desenvolve através de suas experiências sociais e recria o mundo dos adultos através de suas brincadeiras, como o próprio autor afirma:

 

A criança desenvolve-se pela experiência social, nas interações que estabelece, desde cedo, com a experiência sócio-histórica dos adultos e do mundo por eles criado. Dessa forma, a brincadeira é uma atividade humana, na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sociocultural dos adultos. (RODRIGUES, 2009.)

 

A assertiva de Rodrigues ressalta a recriação da experiência sociocultural dos adultos através de brincadeiras estabelecidas pelas próprias crianças, como se fosse um espelho a refletir o mundo adulto. As palavras do autor vem tecer a teia dessa associação junto com Gonzaga, que esclarece sobre a habilidade de planejar, estabelecer metas para o ensino-aprendizagem, realizar intervenções e é claro, mudar quando for necessário, mudar a prática pedagógica. A prática pedagógica do profissional é fundamental para que os objetivos sejam alcançados com eficiência, Gonzaga nos faz refletir sobre,

(...) a essência do bom professor está na habilidade de planejar metas para aprendizagem das crianças, mediar suas experiências, auxiliar no uso das diferentes linguagens, realizar intervenções e mudar a rota quando necessário. Talvez, os bons professores sejam os que respeitam as crianças e por isso levam qualidade lúdica para a sua prática pedagógica. (GONZAGA, 2009, p.39)

Gonzaga nos afirma que um bom profissional deve manter-se em constante atualização, sempre procurando algo novo que possa acrescentar em sua prática ou até mesmo no seu aprendizado enquanto profissional da educação. O bom professor, planeja, atinge metas estabelecidas, não só pela instituição que leciona, mas metas que ele mesmo estabelece dentro de sua sala de aula. Utiliza a qualidade lúdica e uma linguagem adequada ao nível de ensino que trabalha facilitando o entendimento da criança. É o que vem confirmar Santos:

Ao longo dos anos podemos comprovar que a utilização de procedimentos metodológicos que envolvem brincadeiras, jogos e brinquedos tende a contribuir com mais facilidade para o processo de ensino e aprendizagem da criança na formação de atitudes como: cooperação; socialização; respeito mútuo; interação; lideranças, criatividade, personalidade e autonomia, que favorecem a construção do conhecimento do educando. (SANTOS, 2014.)

 

Santos, nos revela que a brincadeira para criança a permite explorar o ambiente em que está inserida, podendo assumir diversos papéis, sem levar em conta que aprender a realidade por meio de brincadeiras é algo agradável e a permite descobrir a si mesma, pois revela um mundo muito particular tecido de uma identidade sociocultural a qual ela própria está inserida. Porém, as frequentes transformações cotidianas, a exemplo da economia, a tecnologia e muitas outras acabam por abarcar um abandono as brincadeiras infantis e uma substituição por outras atividades, algumas que exigem responsabilidades da criança e outras que apenas preenchem o tempo tais como: jogos de computadores ou games. Zaffalon Júnior nota que a ludicidade é algo essencial ao ser humano desde o período anterior a escrita e do uso dos metais, em suas palavras o autor afirma que,

A ludicidade está intrínseca no ser humano desde a pré-história. O ato de brincar é a mais pura forma da criança se expressar, é brincando que ela expressa o que está sentindo e também interioriza o mundo ao seu redor. Porém, o ato de brincar vai muito além, é neste momento que os jogos começam a apresentar-se, e será através deles que a criança desenvolverá boa parte de suas habilidades motoras e cognitivas. (ZAFFALON JÚNIOR, 2009).

Segundo Zaffalon Júnior, durante um bom tempo, o jogo, foi, e é um dos recursos utilizados pelas escolas como material pedagógico, porém com finalidade educativa, o que acarretou o desenvolvimento no sentido de ordem, ritmo, forma, cor, tamanho, do movimento, harmonia e equilíbrio. Apesar disso, a utilização do jogo nas escolas, foi criticada, mas é inegável sua contribuição para a aprendizagem de várias disciplinas tais como: matemática, geografia, história, educação física, entre outras. Cabe lembrar, que é através da brincadeira que a criança se desenvolve como um ser social, por isso, para um bom desenvolvimento ela precisa de um ambiente e tempo onde possa estimular e explorar as diferentes linguagens que a brincadeira possibilita. A participação do adulto nas brincadeiras das crianças é de total importância para seu desenvolvimento, pois este deve estimulá-las a brincarem e reforçar os laços afetivos entre eles, sua participação eleva o nível de interesse e enriquece a imaginação da criança. As brincadeiras para as crianças passam a ser expressões do mundo em que vivem, interagindo com os outros, o aluno passa a aprender sobre regras e métodos que a ajudarão a viver e a se desenvolver dentro da sociedade.

 

Notas:

1É mestranda pela Olford Walter University (OLWA), nos Estados Unidos e graduanda em Pedagogia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

2É graduanda em Pedagogia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

3É graduanda em Pedagogia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

4É graduanda em Pedagogia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

GOLDSCHMIED, Elinor; JACKSON, Sonia. Educação de 0 a 3 anos: O Atendimento em creche: O educador-referencia – 2ª. Ed. Porto Alegre: Grupo A, 2006. 

BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Referencial Curricular nacional para a educação infantil. Brasília: MEC/SE, v. 03. 2001.

Manual de orientação pedagógica. Brinquedos e brincadeiras nas creches – Brincadeira e Interações nas Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil. Modulo I. MEC. Brasília, 2012.

Portal educação. Concepção do brincar e aprender na visão de Piaget e Vygotsky. Acesso em 14 de Setembro de 2015.

A criança e o brincar. Acesso em 14 de Setembro de 2015.

O lúdico na infância. http://cmais.com.br/vilasesamo/pais-e-educadores/o-ludico-na-infancia> Acesso em 18 de Setembro de 2015.

A importância brincar na educação infantil. http://monografias.brasilescola.com/educacao/a-importancia-brincar-na-educacao-infantil.htm> Acesso em 17 de Setembro de 2015.

Brasil. Estatuto da criança e do adolescente: Art. 16 – Lei 8069/90. Acesso em 14 de Setembro de 2015.

Infância e ludicidade. Acesso em 16 de Setembro de 2015.

O lúdico na educação infantil: Jogar, brincar, uma forma de educar. Acesso em 15 de Setembro de 2015.

 

Ludicidade e família: o brincar e sua importância no contexto familiar. Acesso em 15 de Setembro de 2015.

Ludicidade no processo educacional na creche estadual maria eunice de barros. Acesso em 20 de Setembro de 2015.

A importância do brincar no contexto da educação infantil: creche e pré-escola. unifafibe.com.br/revistasonline/arquivos/cadernodeeducacao/sumario/31/04042014074001.pdf> Acesso em 17 de Setembro de 2015.

Os benefícios do brincar. http://www.ufrrj.br/graduacao/prodocencia/publicacoes/desafioscotidianos/arquivos/integra/integra_SILVA%20e%20SANTOS.pdf> Acesso em 21 de Setembro de 2015.

Desenvolvimento infantil: o brincar e o aprender no pré-operatório. < Disponível em: http://br.monografias.com/trabalhos3/desenvolvimentoinfantilbrincaraprenderoperatorio/desenvolvimento-infantil-brincar-aprender-operatorio3.shtml>Acesso em 16 de Setembro de 2015.

Jogo e ludicidade: contribuições para o desenvolvimento infantil. Acesso em 15 de Setembro de 2015.

O faz de conta e o desenvolvimento infantil. http://www.facsaoroque.br/novo/publicacoes/pdf/v4-n1-2013/Elisangela.pdf> Acesso em 21 de Setembro de 2015. Acesso em 16 de setembro de 2015.