A IMPORTANCIA DA ALFABETIZAÇÃO EFETIVA NO AMBIENTE ESCOLAR

A IMPORTANCIA DA ALFABETIZAÇÃO EFETIVA NO AMBIENTE ESCOLAR

 

A IMPORTANCIA DA ALFABETIZAÇÃO EFETIVA NO AMBIENTE ESCOLAR

 

 

Marli Silvana da Silva

                               

RESUMO

Este trabalho aponta a importância da Alfabetização e Letramento na educação infantil, além da complexidade no percurso entre as séries iniciais ao término no ensino fundamental. Serão registradas determinadas evidências essenciais no processo de aprender com autonomia desde a infância. Evidências essas, que contemplam uma ligação entre a criança e o professor, essa ligação possibilita uma jornada de construção, sentimento, acolhimento e respeito entre ambos.  Serão esclarecidas as questões referenciadas por Magda Soares que relata as ações do professor que atua com crianças na educação infantil, de como podem oferecer um espaço de leitura e escrita em sua sala de aula. Os principais objetivos da pesquisa foram conhecer como construir o processo de alfabetização e o letramento, antes do ensino fundamental e no que isto irá agregar no desenvolvimento dos alunos. O leitor encontrará neste documento questões que evidenciam a importância do alfabetizar e letrar em sala de aula, e a responsabilidade do docente em buscar sua formação contínua, para percorrer o processo de ensino aprendizagem, e encontrar resultados positivos na devolutiva de seus alunos. Por fim, descrevo no decorrer desta busca, as leituras e observações organizadas em quatro capítulos. No primeiro capítulo, trago as diferentes abordagens de alfabetização e letramento, apresentando a ideia e a trajetória de alguns autores sobre o tema, além de discorrer sobre a importância da organização e adequação dos espaços escolares.

 

Palavras chaves: Alfabetização, Letramento, Educação Infantil

 

 

INTRODUÇÃO

 

Muito se fala sobre oferecer um espaço de acesso à leitura e escrita na escola, antes mesmo do ensino fundamental. Existem diferentes opiniões quanto a esta questão. Regina Scarpa, explicita a polêmica sobre ensinar ou não as crianças a ler e escrever na Educação Infantil tem origem em pressupostos diferentes a respeito do que é alfabetização. Segundo ela alguns educadores, receiam a antecipação de práticas pedagógicas tradicionais e a perda do lúdico, em razão destes diferentes pressupostos, já Magda Soares defende que as concepções da alfabetização e letramento devem ser construídas a partir de diferentes perspectivas teóricas levando em consideração que na educação infantil é necessário que se desenvolva a formação cidadã, bem como a coordenação motora, onde a criança perceba que tudo o que se fala, se escreve.  

O letramento está muito presente nos dias de hoje, até mesmo na educação infantil. As crianças vivem em um mundo cheio de estímulos visuais, propagandas, ou seja, desde muito pequenos estão imersos em um mundo letrado. Nada mais natural, estas crianças interessarem-se em descobrir o que quer dizer as letras dos livros, as músicas que escutam, entre outros.

O principal objetivo deste trabalho é mostrar como podemos oferecer um espaço de acesso à leitura e escrita antes do Ensino Fundamental, sem que isso prejudique a aprendizagem lúdica que as crianças pequenas devem ter.

Esta pesquisa traz pressupostos já determinados, os quais confrontam com situações reais de aprendizagem em espaços devidamente adequados. Nesse sentido, procurei embasamento teórico para explicar que a alfabetização e o letramento, já ocorrem normalmente com as crianças de educação infantil e que não é possível deter o conhecimento dos pequenos. Discorri o referencial teórico de Regina Scarpa, Magda Soares, Roxane Rojo, e outros autores que tratam desse tema com grande colaboração na abordagem da alfabetização e letramento na educação infantil.

 

1-ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

 

Na educação infantil a promoção do espaço de leitura e da escrita é oferecido na maioria das escolas, antes mesmo do ensino fundamental. Existem diferentes opiniões quanto a esta questão. Regina Scarpa, em um artigo sobre alfabetização na educação infantil, à Revista Nova Escola, fala que a polêmica sobre ensinar ou não as crianças a ler e escrever na Educação Infantil tem origem em pressupostos diferentes a respeito do que é alfabetização. Alguns educadores, segundo Scarpa (2006) receiam a antecipação de práticas pedagógicas tradicionais e a perda do lúdico, em razão destes diferentes pressupostos.

 

Como se a escrita entrasse por uma porta e as atividades com outras linguagens (música, brincadeira, desenho etc.) saíssem por outra. Por outro lado, há quem valorize a presença da cultura escrita na Educação Infantil por entender que para o processo de alfabetização é importante a criança ter familiaridade com o mundo dos textos. (Scarpa, 2006, p.1)

 

 

 

A alfabetização e o letramento marcam presença na educação infantil, de acordo com Magda Soares (2009), os pequenos, antes mesmo do ensino fundamental devem ter acesso tanto a atividades de introdução ao sistema alfabético e suas convenções, a alfabetização, como também práticas sociais de uso da leitura e da escrita, o letramento.

A palavra letramento fez-se necessária, segundo Magda Soares (2001), visando a impossibilidade de dar um sentido mais amplo à palavra alfabetização. “Não basta aprender a ler e a escrever. As pessoas se alfabetizam, aprendem a ler e escrever, mas não necessariamente incorporam a prática da leitura e da escrita. ” Segundo a autora, o indivíduo, sem letramento se alfabetiza, porém não adquiri competências para usar esta ferramenta que lhe foi ensinada.

Seria um desperdício termos um conhecimento muito valioso e não sabermos usá-lo, como se tivéssemos uma máquina capaz de muitas coisas, porém usaríamos, por exemplo, somente para dez por cento do que ela é capaz de fazer. Assim pode ser visto a alfabetização sem o letramento: um conhecimento que torna o indivíduo capaz de muitas coisas, porém se a pessoa não for também letrada, não conseguirá utilizá-la em sua plenitude.

Ainda segundo a autora, o termo letramento surgiu porque apareceu um fenômeno novo que não exista antes, ou, se existia, não nos dávamos conta dele, e, como não dávamos conta dele, não tínhamos nome para ele. (2001, p.34)

 

Se pudéssemos dar um sentido amplo à palavra alfabetização, tornaria desnecessário o uso da palavra letramento, porém ainda não podemos junta-las, pois não é isso que acontece em todos os processos alfabetizadores.

Scarpa (2006, P.  1) coloca que ainda temos educadores que acreditam na simples decodificação de símbolos e, por ensinarem desse modo, não podemos descartar a palavra letramento.

 

Pode ser uma aprendizagem de natureza perceptual e motora ou de natureza conceitual. O ensino, no primeiro caso, pode estar baseado no reconhecimento e na cópia de letras, sílabas e palavras. No segundo, no planejamento intencional de práticas sociais mediadas pela escrita, para que as crianças delas participem e recebam informações contextualizadas. (Scarpa, 2006, p.1)

 

Em sua tese de doutorado, Luciana Picoli 2009, pesquisou sobre a prática pedagógica de professoras alfabetizadoras que foram fundamentadas em distintas perspectivas: psicogênese da língua escrita, estudos sobre o letramento e sobre consciência fonológica. Ela coloca que os autores que falam de alfabetização e letramento, muitas vezes tem pensamentos contrários. Para Picoli (Op cit) “A definição e a interpretação dos termos alfabetização, alfabetismo e letramento não é realizada, explicitamente, por todos os autores. ”

Segundo ela, o conceito de alfabetização para Magda Soares é restrito, refere-se apenas ao aprender/ensinar a ler e escrever. Já Emília Ferreiro coloca que não precisa usar outro termo (no caso letramento) para designar algo que já deveria estar dentro do processo de alfabetização. Vale lembrar que muito recentemente, existia o pressuposto de que a alfabetização era vista simplesmente como decodificar o código escrito. Desta forma, muitos educadores acreditam que se trabalhamos desta forma já na educação infantil, acontecerá à perda do lúdico, ou seja, as crianças deixam de brincar mais cedo, o que poderia acarretar problemas em séries posteriores.

Nessa perspectiva as crianças, só estariam prontas para se alfabetizar depois dos sete anos, sendo prematuro estarem inseridas neste processo na creche ou pré-escola. Este espaço, da educação infantil, era visto somente para cuidar e proteger, para que mais tarde pudessem florescer e assim maduras, pudessem aprender o código escrito. A autora destaca que:

(...) até muito recentemente, assumia-se que a criança só poderia dar início ao seu processo de aprendizagem da leitura e da escrita em determinada idade e, por conseguinte, em determinado momento de sua educação institucionalizada: entre nós, no Brasil, aos 7 anos, idade de ingresso no primeiro ano do ensino fundamental. (Soares, 2009, p.1)

 

2- A IMPORTÂNCIA DE UM ESPAÇO DE LEITURA E ESCRITA

 

A alfabetização e letramento são dois processos caracterizados por sua fusão, para que a criança possa se apropriar de uma alfabetização satisfatória. Não é só necessário aprender a decodificar o código escrito, mas também para que ele serve e como usá-lo.

O aprendizado na educação infantil deve acontecer de forma prazerosa, onde as crianças tenham contato com o lúdico para que de fato ocorra o que se pretende. Como podemos, então, oferecer a alfabetização e o letramento para os pequenos?

Segundo Magda Soares (2009 p. 1), as atividades bastante comuns na educação infantil, os rabiscos, desenhos, os jogos e brincadeiras, não são consideradas alfabetizadoras, porém elas já fazem parte deste processo para a autora a fase inicial da aprendizagem da língua escrita, constituindo a pré-história da linguagem escrita: quando atribui a rabiscos e desenhos ou a objetos a função de signos, a criança está descobrindo sistemas de representação, precursores e facilitadores da compreensão do sistema de representação que é a língua escrita.

Deste modo, a assimilação do conceito de alfabetização acontece nas atividades onde as crianças fazem seus rabiscos e dizem o que representam, para codificar a escrita. Bem como também, as vivências de representações semióticas, segundo Vygotsky em paralelo com (Soares, 2009, p1), são operações cognitivas precursoras e preparatórias do mais complexo e abstrato processo de apropriação da escrita como um sistema de representação, pois, através dos rabiscos, desenhos e objetos são atribuídas as crianças uma forma representativa que facilitam a compreensão do sistema de representação de sons e signos que é a língua escrita.

Segundo Soares (2009), pesquisas feitas pelas estudiosas Emília Ferreiro e Ana Teberosky, comprovam que as crianças da faixa dos 4 aos 6 anos, alunas da educação infantil, quando motivadas e direcionadas por meio de práticas lúdicas e adequadas, evoluem rapidamente em direção ao nível alfabético, portanto, é importante que sejam trabalhadas várias atividades na educação infantil envolvendo a familiarização com as letras do alfabeto, contato visual frequente com palavras conhecidas, sempre em um espaço preparado adequadamente comtemplando de forma lúdica a compreensão do princípio alfabético através de parlendas, poesias, cantigas, músicas, pois deste modo as crianças podem perceber sons que delimitam a fala, que as palavras com mesmos sons, começam com as mesmas letras, entre outros. Por consciência fonológica denomina-se a habilidade metalinguística de tomada de consciência das características formais da linguagem. Esta habilidade compreende dois níveis: no primeiro a consciência de que a língua falada pode ser segmentada em unidades distintas, ou seja, a frase pode ser segmentada em palavras; as palavras, em sílabas e as sílabas, em fonemas. E no segundo, a consciência de que essas mesmas unidades se repetem em diferentes palavras faladas (rima, por exemplo). (Soares, 2009, p.13). Os materiais utilizados são muito importantes nesse processo, pois ao observar o manuseio dos livros, jornais, revistas, cartazes, etc), percebe-se que as crianças emitem sons, faz gestos, diante disso, pode-se diagnosticar gradativamente a forma com a qual a criança desenvolve as características da linguagem, construindo seu conhecimento acerca de leituras. (Paz, Mariotti, Knestch, p1.)

Para Soares (2009), a construção do conhecimento na criança é potencializado quando o espaço oferecido a ela, encontra-se adequado e favorável ao letramento que a possibilite presenciar e participar de situações de iniciação a leitura, através do manuseio de livros, as crianças começam a distinguir o que está escrito do que está ilustrado, percebem que aquelas letras “contam” a história e se motivam a querer saber ler o que está ali, esta atividade (...) leva a criança a se familiarizar com a materialidade do texto escrito: conhecer o objeto livro ou revista, descobrir que as marcas na página - sequências de letras - escondem significados, que textos é que são "para ler", não as ilustrações, que as páginas são folheadas da direita para a esquerda, que os textos são lidos da esquerda para a direita e de cima para baixo, que os livros têm autor, ilustrador, editor, têm capa, lombada...

Além de se familiarizar com a escrita propriamente dita, através das histórias o aluno enriquece seu vocabulário e o desenvolvimento de habilidades de compreensão dos textos. Quando o professor faz uma interpretação oral da história, com as crianças da educação infantil, já está trabalhando as habilidades que mais tarde serão transferidas para leitura independente, ou seja, este aluno estará mais apto em interpretar textos em séries posteriores.

Ainda segundo a autora, a leitura prazerosa deve ser uma prática constante e natural, para que a leitura oral de histórias atinja esses objetivos, não basta que a história seja lida. É necessário que o objeto portador da história seja analisado com as crianças e sejam desenvolvidas estratégias de leitura entre as quais, a autora destaca: leitura precedida de perguntas de previsão a partir do título e das ilustrações; que seja propositadamente interrompida, em pontos pré-escolhidos, por perguntas de compreensão e de inferência; que seja acompanhada, ao término, por confronto com as previsões inicialmente feitas, por meio da avaliação de fatos, personagens, seus comportamentos e suas atitudes. Tornando a leitura de histórias uma ferramenta para a aquisição do letramento.

Segundo a autora, é importante que sejam trabalhados conteúdos que contemplem textos literários; textos informativos; que incitem a criança na busca por uma pesquisa do interesse dela própria; textos injuntivos; que orientam a prática de jogos e mostram suas regras; textos jornalísticos; histórias em quadrinhos, enfim temos um leque vasto de material escrito para ser explorado, também na educação infantil. A criança antes do ensino fundamental, pode e deve ser apresentada a diferentes gêneros de textos, além disso, pode-se levá-la a identificar o objetivo de cada gênero, o leitor a que se destina e sua funcionalidade.

São inúmeras as situações que a criança pode perceber a função da escrita para fins diversos e que possibilite que ela utilize em práticas de interação social. Para Doris Bolzan (2005), em seu artigo, refletindo sobre o que a criança pensa a respeito de ler e escrever, a autora destaca que “As atividades de leitura e escrita devem promover todo tipo de discussão, tomando-se todos os elementos do ambiente como referência para a construção e reconstrução de hipóteses e concepções. ” Deste modo, ela coloca que o nome das crianças, a leitura de livros, a escrita de cartazes, bilhetes, mensagens, letras de músicas, nome dos objetos e outras atividades devem ser explorados de maneira lúdica, tornando-se parte essencial do trabalho com as crianças.

Soares (2009), também nos traz estes exemplos, enfatizando que surgem a todo o momento, oportunidades de registrar algo como apoio à memória, de escrever cartinhas ou registrar um trabalho desenvolvido. Estas são as atividades de letramento que devem ter presença frequente nas práticas da educação infantil. É de suma importância também, como nos coloca Bolzan (2005), que as salas sejam ricas em elementos alfabetizadores orais e escritos, onde o professor pode expor os relatos de passeios, leitura de obras, entre outros. Assim, as crianças mergulhadas em um ambiente alfabetizador, conseguem perceber mais cedo que estão inseridas em um mundo escrito, que precisarão posteriormente compreender.

Contudo, apesar de distintas, por diferenciarem-se tanto às operações cognitivas, quando aos processos metodológicos e didáticos, a alfabetização e o letramento devem desenvolver-se de forma integrada. Trabalhando de uma forma lúdica, partindo do interesse e da vivência dos pequenos educandos, podemos afirmar que a leitura e a escrita têm sim um espaço muito importante na educação infantil. Então, é essencial que as salas de educação infantil, sejam imersas ao um contexto letrado e que atividades de leitura sejam aproveitadas, de maneira planejada e sistemática, como coloca Soares (2009), para dar continuidade aos processos de alfabetização e letramento que as crianças já vivenciam em suas casas, antes mesmo, às vezes, de chegar às instituições de educação infantil.

 

3- O MUNDO DA ESCRITA E O ESPAÇO DE APRENDIZAGEM

Segundo (Ferreiro 2001), a inserção dos diversos gêneros textuais na aprendizagem da criança favorece o desenvolvimento da leitura e da escrita, bem como criar momentos diversificados utilizando recursos variados onde a construção do conhecimento seja favorecida, com o apoio da ludicidade.

Ferreiro (1996) aprecia, assim, as histórias ouvidas e narradas pelas crianças (que devem ser registradas pelo professor), bem como as tentativas de escrever seus nomes ou bilhetes. Essas atividades tomam por responsabilidade grande importância no processo, pois são causadoras de espaço para a descoberta dos usos sociais da linguagem – que se escreve. É importante colocar a criança em situações de aprendizagem, em que possa utilizar suas próprias elaborações sobre a linguagem. O objetivo de Ferreiro é associar o conhecimento instintivo da criança ao ensino, dando-lhe maior significado.

Tendo entendido que escrever não é só desenhar, as crianças começam uma fase de tentar copiar as letras e os símbolos que conhecem. Essas primitivas grafias apesar de não serem mais desenhos, também não são letras convencionais, são escritas que buscam se identificar com a escrita adulta. Adiantada em sua construção da escrita, a criança entende que para escrever utilizam-se apenas letras, passando a parar de representar números em suas hipóteses de escrita. As letras juntam-se cada vez mais das formas convencionais.

 

A escrita é um sistema de signos que representa um outro sistema de signos. Ao escrever a criança representa o som da fala, mas esse som da fala não é apenas um som [...] ele tem um significado. Esse significado representa a realidade, as coisas do que falamos, nossas ideias, sentimentos, informações... O que, seja a escrita representa a fala, que, por sua vez, representa a realidade (MELLO, 2007).

 

Apreciando o processo pelo qual as crianças levantam seu próprio sistema de leitura e escrita é provável nortear o ensino da linguagem escrita na escola.

Reforçando os estudos antes apregoados por Vygotsky e Piaget, a aprendizagem se realiza em uma relação interativa entre o sujeito e a tradição em que vive. Esse fato significa que, ao lado dos processos cognitivos de preparação totalmente pessoal (ninguém consegue aprender pelo outro), há uma situação que, não só oferece informações peculiares ao aprendiz, como também incentiva e dá significado ao que é aprendido, e ainda favorece suas essenciais capacidades de aplicação e emprego nas situações que são experimentadas.

Para Carvalho Junior (2008) os campos conceituais de Vergnaud são meios para se elaborar uma intervenção didática que favorecerá o desenvolvimento das capacidades da criança, revelando que: “[...] o saber se forma a partir de problemas para resolver, quer dizer, de situações para dominar”.  

Segundo Izelda Feil (1991, p. 91), a criança passa por estágios bastante definidos. Dos traços desordenados até a representação de cenas, ela vai evoluindo harmonicamente na sua percepção, linguagem, compreensão, ou seja, a criança que é capaz de representar espontaneamente cenas, previamente planejadas, demonstra indício de maturidade para a leitura e para escrita.

Na aprendizagem inicial as práticas empregadas estão em sua maioria, fundamentada na união de sílabas simples, arquivamento na memória de sons e decifração de cópias. Tais formas fazem com que as crianças sejam um expectador passivo, um receptor mecânico, pois não compartilha do processo de formação do conhecimento.

De acordo com Martins (2007, p. 27) “[...] a leitura vai, portanto, além do texto e começa antes do contato com ele”. A leitura acontece a partir do diálogo do leitor como uma finalidade lida, seja escrito ou sonoro, seja um gesto, uma figura, um evento. Esse diálogo é valorizado por um tempo e um espaço, uma situação ampliada de acordo com os desafios e as respostas que o objeto oferece, em função de expectativas e obrigações, do prazer das descobertas e do conceito de vivência do leitor.

A leitura sensorial inicia muito cedo e segue por toda a vida. Não importa se mais ou menos meticulosa e imediata à leitura emocional e racional. Ela vai, portanto, dar a conhecer ao leitor o que ele gosta ou não, mesmo que de forma inconsciente, sem obrigação de racionalização explicadas apenas porque incomodam a vista, o ouvido, o tato, o olfato ou o paladar. No entanto, essa leitura por meio dos sentidos desvenda um prazer singular, na criança alistada com a sua disponibilidade e curiosidade. Isso favorece a ela a descoberta do livro como uma peça especial, diferente dos outros brinquedos. Motivam-na para a emoção do momento de ler o texto escrito, a partir do processo de alfabetização, provocando o compromisso de autonomia para satisfazer a curiosidade pelo ignorado e para reconstruir emoções vividas.

Além da formação pessoal, o espaço escolar e a mediação do professor são muito importante para que a criança se sinta importante e valorizada, desta forma ela se incentiva a aprender mais e mais. A aprendizagem da leitura e da escrita solicita, em especial, que a criança apreenda como o sistema de escrita acontece e que haja uma complexa conexão dos processos neurológicos e de uma suave evolução de habilidades básicas como percepção, esquema corporal, lateralidade, etc.  O professor deve ao aplicar atividades, elaborá-las de forma diversificada e ao aplicá-la na sala de aula deve sempre enfatizar a importância da escrita na sua utilização nas práticas sociais.

Considera-se importante, que os professores estudem, reflitam e compreendam as novas expectativas que nasce em relação ao trabalho em creches e pré-escolas. Perspectivas essas exigidas pela sociedade atual, marcada largamente por imagens, sons, falas e escritas. Por isso, é imprescindível a “[...] exploração das distintas linguagens como forma de expressão da criança: ler e produzir imagens, cantar e dançar, dramatizar, pintar, desenhar, movimentar-se no espaço, assim como produzir linguagem escrita e falada” (MELO, 2014, p. 46).

A linguagem escrita e falada, como bens culturais aos quais as crianças têm direito ao acesso, configura-se como instrumento básico de expressão de ideias, sentimentos e imaginação. É recomendável que o trabalho com ambas as dimensões da linguagem seja contínuo e bem planejado, de modo a favorecer que as crianças se apropriem, progressivamente, de vários gêneros e formas de expressão. Nessa perspectiva, reafirma-se a necessidade de se trabalhar a leitura e a escrita com as crianças desde a Educação Infantil, no entanto, é fundamental o aprofundamento a respeito de como e o que realmente necessita ser trabalhado.

Ferreiro (1996, p. 25) afirma ainda que para a alfabetização ter significado, a escola tem que trabalhar com a situação da criança, lendo histórias e com ingerências das mesmas crianças, que podem aprender as palavras, desde que tenham algum sentido ou com histórias que tenham significado para elas.

Neste contexto, sustenta-se que o ponto de partida e de chegada do processo de alfabetização escolar é também o ambiente, além do texto: falado ou escrito, marcado pela unidade de sentido que se forma numa resolvida situação discursiva.

 

CONCLUSÃO

Diante do exposto entende-se que o processo de leitura e escrita na criança da educação infantil perpassa pelas brincadeiras como meios de interações, por todas as formas de comunicação, expressão e registros realizados por elas por meio da linguagem escrita. Sabe-se que o foco na Educação Infantil é o uso da língua em contextos sociais como forma de inserção do sujeito na cultura, portanto, a linguagem. Vivenciar a língua é estabelecer cotidianamente múltiplas interações. A educação infantil, é um momento muito rico de aprendizagem, onde aprender é um prazer, porque as crianças buscam constantemente atender suas curiosidades e com isso se desenvolvem.

Por isso, o papel, fundamental, do professor, é oferecer um planejamento de qualidade para sua turma. O desenvolvimento da linguagem tanto escrita como falada, se dá através da qualidade de interação com o adulto, do que este adulto pode instigar e oferecer a esta criança que está sedenta de saber.

Nesta pesquisa, percebemos que trabalhar com atividades sobre alfabetização e letramento, só trazem benefícios aos pequenos, se bem desenvolvidos e propostos através de atividades onde se evidencie o lúdico. A ludicidade deve ser o ponto de partida para qualquer aprendizagem, na educação infantil, pois é brincando que eles aprendem. Também, pode-se perceber que práticas de letramento, devem acontecer, juntamente com atividades de alfabetização, já na educação infantil, uma vez que, estes conceitos se complementam e se trabalhado de uma forma dissociada, pode ser prejudicial à aquisição da visão do mundo escrito para a criança. Logo, vemos que podemos oferecer um espaço onde os alunos podem aprender sobre leitura e escrita, antes do ensino fundamental. E que este espaço se torna fundamental no contexto em que vivemos atualmente. Não trabalhar com alfabetização e letramento, já na educação infantil, seria privar algo inevitável para as crianças. Porém, nunca esquecendo da forma lúdica de ensinar aos pequenos.

 

RFERENCIA BIBLIOGRÁFICA

 

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FERREIRO, Emília. Alfabetização em processo. São Paulo: Cortez, 1996. Reflexões sobre alfabetização. 24. ed. atualizada. São Paulo: Cortez, 2001.

MARTINS, Maria Helena. O que é leitura? São Paulo: Brasiliense, 2007.

MELO, Keylla Rejane Almeida. Os usos da leitura e da escrita na educação infantil. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Piauí – UFPI: Teresina, 2014.

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